Sociedade

PALOP’s ambicionam escola de oncologia na região

A Criação de uma Escola de Oncologia de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) foi um dos desafios lançados no I Congresso Moçambicano sobre Cancro e no II Congresso dos PALOPS sobre o Cancro, este, decorrido semana finda em Maputo sob o lema: O Cancro é um Problema de Saúde Pública em Moçambique-deve ser priorizado.

Para os doze países africanos que se fizeram representar neste Congresso, esta seria uma das formas de melhorar as condições de vida das pessoas vivendo com cancro em África.

O evento foi presidido pela Primeira-Dama da República, Isaura Ferrão Nyusi, que referiu que é um privilégio para Moçambique acolher um evento de cunho internacional para falar de um problema de saúde pública de extrema importância.

Dirigindo-se aos presentes, Isaura Nyusi fez referência às acções desenvolvidas pelo país para a mitigação deste mal e os desafios que o país ainda enfrenta. Ainda temos desafios pela frente tais como aumentar o acesso aos cuidados de prevenção e diagnóstico precoce, através da expansão de unidades sanitárias para as zonas mais recônditas do país; introduzir a vacina HPV no Calendário Nacional de Vacinações, bem como melhorar a abordagem terapêutica.

A prevenção foi outra estratégia apontada como a melhor forma de reduzir mortes pois, na óptica dos participantes, é na prevenção que se diagnostica precocemente e se pode se eliminar através do tratamento precoce.

Ainda no evento, cuja duração foi de três dias, os países representados falaram das suas intervenções locais tendo em conta o facto deste mal revelar-se um problema de Saúde Pública nos países desenvolvidos. No mesmo âmbito, evidências epidemiológicas mostram que os países africanos também tendem a seguir o mesmo rumo.

De referir que em 2008, ocorreram em África 715 mil novos casos e 542 mil mortes por cancro. Dados disponibilizados pela Saúde apontam que caso este cenário não se altere, este número poderá duplicar nos próximos 20 anos como consequência do crescimento populacional.

De acordo com a Flora Mabota da Costa, do Serviço de Ginecologia do Hospital Central de Maputo (HCM), apostar no tratamento multidisciplinar do cancro constitui uma das formas de alcançar resultado positivo no tratamento desta doença. Este conceito foi também secundado pelo radioncologista de nacionalidade portuguesa, Guy Vieira. Está provado que o resultado é melhor quando não é só de um médico que faz a cirurgia por exemplo. Temos que ter um radioterapeuta, um oncologista, um psicólogo na intervenção do caso, explicou.

CANCRO NO PAÍS

No que concerne à realidade de Moçambique, o cancro do colo do útero constitui o tipo mais frequente, sendo que este e a neoplastia maligna são responsáveis por 32 por cento do total dos tipos de cancro. Este é seguido pelo cancro da mama com 13 por centoe o Sarcoma de Kaposi com 12.

De referir que em 2013 foram rastreadas 64.200 mulheres, das quais cinco mil apresentaram lesões cancerígenas.

O Vice-Ministro da Saúde, Mouzinho Saíde, revelou que no homem, o Sarcoma de Kaposi é o cancro mais frequente e responsável por 27 por cento de casos, seguido do cancro da próstata com 17 por cento e fígado com 13 por cento. Nas crianças, o cancro representa seis por cento dos casos e os mais comuns são as leucemias, linfomas, sarcoma de kaposi e tumores do rim.

Para conter a progressão da doença, Moçambique lançou em 2009 a estratégia nacional para o controlo do cancro do colo do útero e da mama denominado Acesso Universal a Prevenção do Cancro. Em 2014 foi criado o Programa Nacional de Controlo do Cancro.

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