Sociedade

Cidadão acusado de usurpar terras

Texto de Abibo Selemane e Fotos de Carlos Uqueio

Um cidadão conhecido pelo nome de Florentino Manenje é acusado de estar a ocupar machambas da comunidade de Campoane, Município de Boane, para posteriormente vendê-las a desconhecidos. As autoridades locais contam que o acusado já foi mandado suspender esta actividade por várias vezes, mas sempre ignorou a orientação.

Ninguém daquela comunidade sabe dizer onde efectivamente Florentino Manenje mora, mas se sabe que se mudou para aquelas bandas em 1999, vindo do bairro do Costa de Sol, Município de Maputo, onde também desenvolvia a mesma actividade de venda de talhões.

Quando chegou em Campoane pediu aos residentes para lhe cederem um espaço onde, segundo ele, pretendia construir um centro de diversão. Nessa altura conseguiu duas machambas.  

Segundo relatos da população, este projecto nunca se efectivou e as machambas por ele adquiridas foram por si revendidas a singulares. Não tendo outro lugar para vender, passou já a ocupar os espaços abertos que encontra mesmo distante do seu antigo terreno.  

Em conversa com os moradores daquele bairro ficamos a saber que Florentino Manenje traz pedreiros e constrói as casas, na calada da noite. De seguida coloca nessas casas indivíduos para controlar o espaço enquanto procura um cliente.

Conta-se que quando encontra um murro em espaço alheio, ordena os seus homens para procederem à demolição. Facto curioso é que mesmo o bloco que tem usado para a construção das casas rouba nos talhões próximos.

A situação tem criado distúrbio naquela comunidade nos últimos tempos, pois mesmo quando as autoridades governamentais tanto do distrito, assim como do município lhe mandam parar, este ignora-os. 

Aliás, a nossa equipa de Reportagem trabalhou há dias naquele bairro e viu algumas casas e muros por ele construídos a serem destruídos pela população revoltada. A fúria popular subiu quando constataram que Manenje estava a ocupar mais terras, mesmo depois das autoridades municipais terem dito que precisavam dum tempo para se inteirar dos contornos do processo. Não conseguimos ainda falar com Florentino Manenje, para nos dar a sua versão sobre os factos, mas os moradores afirmam que não o querem ver “nem pintado”.

MORADORES FRUSTRADOS

Os moradores e proprietários dos talhões de Campoane estão agastados com o comportamento do cidadão Florentino. Os mesmos referem que não vão parar até que recuperem os seus campos e material que perderam. Para isso levaram o caso ao Conselho Municipal de Boane onde foram ditos para aguardarem da decisão daquele órgão.

Enganou-me

– Amélia Matsinhe

Amélia Matsinhe é uma das trabalhadoras de Florentino e foi contratada em 2008 para controlar os espaços que ele invadia. Na altura foi acordado que receberia 1500.00 meticais por mês, facto que nunca se efectivou, pois recebeu apenas nos primeiros dois meses.

A nossa entrevistada diz que aceitou o trabalho porque não sabia que os campos não eram do seu patrão. Conta que ficou a saber que a machamba era duma senhora conhecida por Judite que tinha recebido do seu familiar para construir sua residência. Mas por causa da confusão acabou desistindo do projecto.

“Ele construiu a casa e eu comprei chapas de zinco para cobrir. Nesses últimos tempos está a me mandar sair. Eu disse-lhe que não iria sair até que me pague o salário em dívida, caso não vou ficar com o terreno”,disse Amélia Matsinhe.

Levou minha machamba e quero recuperá-la 

– Filipe Macamo

Filipe Macamo viu a sua terra a ser extorquida pelo Manenje.  Frustrado com a situação revelou ser difícil perceber o que leva aquele indivíduo a ter este comportamento.

Explicando ao domingo como tudo começou disse o seguinte׃“Uma vez apareceu Judite (membro da sua família)a pedir um espaço para erguer uma residência. Dei uma parte da minha machamba. Mais tarde, fiquei a saber que quem estava a construir naquele espaço era outra pessoa, fui tirar satisfação, querendo saber se a Judite tinha vendido o espaço, ao que me respondeu que não, mas que havia um indivíduo a fazer confusão”, disse Macamo.

Neste momento, Filipe Macamo pretende recuperar o seu espaço, não obstante o facto de sua parente ter desistido do seu projecto naquele local.

Veio a noite destruir o muro

– Alberto Portugal

Alberto Portugal morador em Campoane disse que Manenje apareceu numa noite no talhão da sua tia e destruiu o muro de vedação.

“A minha tia viajou para Europa em missão de serviço. Ficamos surpreendidos quando numa manhã vimos uma casa quase pronta no nosso talhão, procuramos falar com ele, não houve entendimento porque dizia que o talhão era dele”,disse.

Estamos cansados deste indivíduo

– Damião Tivane, líder comunitário

O líder comunitário do povoado, Damião Tivane, disse estar agastado com o comportamento de Florentino Manenje.

“Quando falou comigo disse que queria um espaço para construir um estabelecimento de entretenimento, um projecto que nunca se concretizou. De lá para cá só há confusão com a população. O mais caricato é que ele traz jovens de Magoanine, Zimpeto para amedrontar as pessoas”,disse.

Num outro desenvolvimento, aquele líder disse que espera melhores dias na resolução deste problema, porque o caso está a ser analisado no município.

“Ficaríamos mais satisfeitos se este indivíduo saísse de vez deste bairro porque estamos cansados de barulho”,desabafou.

 

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