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Caos, fome e desespero nas “colónias” de Maputo

Estes são utensílios domésticos

As sapatilhas de cor preta e branca de Sérgio Carlos, 39 anos de idade, baloiçam num dos ramos da pequena árvore e fortificam a sombra que tanto precisa para enganar o sol de Verão. A lata velha foi improvisada para servir de banco e a sua coluna encontra o conforto no tronco da pequena árvore que distribui o pouco de sombra. Sérgio Carlos franze a testa e revira os olhos vermelho-castanhos. Do seu interior, escapa um grito de socorro: “estou doente, acabo de fazer uma cirurgia”, diz-nos, levantando a camisa para apontar o tubo que atravessa o seu corpo.

Vive na “colónia” sita na Avenida Marginal, bem ali na pequena mata depois do luxuoso hotel Southern Sun, a alguns metros da primeira rotunda da avenida.

Popularmente se designa por “colónias” ajuntamentos informais improvisados em ruínas de edifícios abandonados e espaços abertos. Nelas vivem pessoas de todas as idades, incluindo famílias compostas – mãe, pai e filhos.

Sérgio Carlos, oriundo do distrito de Xai-Xai, esteve na África do Sul a trabalhar como mecânico. Como imigrante ilegal, foi deportado. Preferiu aportar na cidade de Maputo, isso em 2009. A vida seguiu, mas nos últimos 4 anos, tudo mudou. Perdeu o emprego. Começou a vender latas e foi viver na “colónia” da Marginal. Leia mais…

Texto de Pretilério Matsinhe
pretilerio.matsinhe@snoticicas.co.mz

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