Sociedade

Briga entre sócios deixa Palma sem combustível

Desentendimento entre dois gestores duma bomba de combustível em Palma, está a embaraçar automobilistas daquele distrito da província de Cabo Delgado. As bombas estão sempre sem combustível e os automobilistas locais têm de recorrer ao distrito de Mocímboa da Praia, que dista cerca de 80 quilómetros.  

O problema não tem solução à vista. Tanto o governo local, como o distrital, apenas lamenta o facto que só surpreende os que chegam pela primeira vez ao distrito ou àqueles que estão de passagem, sendo que o mesmo se arrasta desde princípios do presente ano, 2015.

De referir que as bombas de combustível de Palma entraram em funcionamento no ano passado, 2014, após concurso público que foi ganho por uma sociedade composta por dois moçambicanos, sendo um a residir na cidade de Maputo e o outro na cidade de Pemba.

As mesmas foram construídas pelo FUNAE no âmbito do incentivo geográfico, cujo objectivo é encurtar a distância entre a comunidade e os locais de venda de combustível.

Informações colhidas no local dão conta que desde que aquelas bombas abriram só funcionaram condignamente no ano passado. Segundo relatos de alguns automobilistas locais o camião que traz o combustível vem uma vez por mês, e quando chega traz consigo apenas cinco mil litros que são consumidos em apenas uma semana.

Facto testemunhado pela nossa equipa de Reportagem é que nos dias em que o camião chega com o combustível, os residentes da vila, proprietários de automóveis, assim como vendedores ambulantes compram grandes quantidades. Alguns vêm com tanques de 500 litros, outros mil litros ou mais. Outros ainda trazem dezenas de bidões de 20 litros, cada.

Referem que preferem comprar nestas quantidades para garantir a circulação das suas viaturas até à altura em que as bombas voltam a ser reabastecidas.

CASO NO TRIBUNAL

O desentendimento entre os gestores das bombas de Palma começou ainda no ano passado. Há informações segundo as quais a relação entre os dois no projecto só durou apenas seis meses. Não se sabe ao certo sobre o que terá motivado esse mal-estar.

Por causa da falta de entendimento dos dois, o caso chegou no tribunal de Pemba onde foi decidido que as bombas deveriam ficar com o gestor que vive na cidade de Pemba.

Entretanto , o empresário de Maputo já tinha criado outra parceria com a empresa Millennium 2000. Este garantia o abastecimento do combustível 24/24 horas. Mas depois da decisão do tribunal, este também foi afastado no negócio.

Contudo, de acordo com informações dos utentes daquelas bombas ,o gestor que ganhou o caso não tem meios para suportar o transporte do combustível de Pemba para aquele ponto do país.

domingo sabe que para o fornecimento do combustível, as bombas dependem da disponibilidade do único carro da Petromoc em Pemba, o mesmo que fornece os restantes distrito daquela província. 

ABASTECIMENTO A CONTA-GONTAS

No período em que a empresa Millennium 2000 esteve a explorar as bombas de Palma teria recebido um valor não especificado do governo local para abastecer as viaturas das diferentes direcções do Estado.

Só que com a decisão do tribunal, este foi obrigado a abandonar o negócio, sem completar as quantidades devidas.

Estando nessa situação, as duas partes entraram num consenso, que consistiu em arranjar mecanismos para que o abastecimento fosse feito até completar o valor, não se sabendo, contudo, quando o processo irá terminar.

Refira-se que o Milénio 2000 assegura três mil litros de combustível num camião-tanque de Nampula e estaciona num local onde todas as instituições do Estado vão encher os seus recipientes.

AMBULANTES

GARANTEM COMBUSTÍVEL

Vendedores ambulantes têm garantido o fornecimento do combustível no distrito de Palma. Estes transportam o líquido da cidade de Nacala-Porto, província de Nampula, através de camiões – tanque e em Palma despejam-no em bidões.

Nota de destaque é que eles só vendem a partir de 5 litros, alegadamente porque abaixo dessa quantidade não compensa. 

O negócio é considerado perigoso, mas as autoridades locais acham-se impossibilitadas de tomar medidas de forma a paralisá-lo, visto que os ambulantes têm ajudado maior parte dos residentes daquele ponto do país. Até mesmo viaturas do governo distrital são abastecidas do mesmo molde.

A situação não nos agrada

– Ramiro Nguiraze, director Provincial dos Recursos Minerais e Energia de Cabo Delgado

O director Provincial dos Recursos Minerais e Energia de Cabo Delgado, Ramiro Nguiraze, disse que a situação não está a agradar a sua direcção porque o objectivo daquelas bombas era trazer combustível para mais perto do cidadão.

Para Nguiraze a situação é mais preocupante ainda porque está a fomentar a existência de vendedores ambulantes. Acrescentou que a sua instituição já canalizou o caso ao Fundo de Energia (FUNAE) e tem conhecimento de que os dois protagonistas também fizeram o mesmo.

Recentemente reuni-me com os dois protagonistas, em separado. Pedi-lhes para resolverem o problema, mas parece que ninguém quer ceder. Portanto, estamos à espera da decisão do FUNAE,esclareceu.

Num outro desenvolvimento, o nosso entrevistado disse que a sua direcção não tem competências para tomar medidas porque todo o processo foi tratado pelo FUNAE. O que nós fizemos foi dar licença de exploração e monitorar, sublinhou.

 

Entretanto, o administrador do distrito, Paulo Romão, garantiu que brevemente vão arrancar as obras de construção de mais um posto de venda de combustível naquele distrito no âmbito das parcerias público-privadas. Foto de Jerónimo Muianga

 

Texto de Abibo Selemane
habsulei@gmail.com

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