Sociedade

Beira vira cidade de buracos!

No silêncio, sem o alarido da Imprensa, a cidade da Beira vai-se esburacando por todos os lados. Contrariamente ao que se reporta da cidade de Maputo, na Beira, os buracos não poupam as zonas consideradas da elite, onde também se anda como se estivesse em bairros suburbanos, à semelhança do que se veicula das estradas dos bairros da Matola, por exemplo.

Tirando um e outro troço ou uma e outra avenida, como a que passa defronte do Pavilhão dos Desportos da Beira, que se beneficiou de pavé, muitas das ruas e avenidas, travessas, praças e pracetas se apresentam com buracos que impedem a boa circulação de peões e automóveis, sobretudo em dias chuvosos em que se transformam em perigosos charcos de profundidade duvidosa.

Para quem chega de avião àquela segunda maior cidade do país, outrora uma das mais belas, é mesmo do aeroporto que se apercebe da situação catastrófica a que a Beira anda submetida. Chega-se ao centro da cidade a zague-zague, de mergulho em mergulho.

A situação parece muito normal, ao ponto de alguns residentes sugerirem que não se diga nada a esse respeito, porque “lá nos bairros suburbanos, onde vive o grosso dos que votaram no actual edil, não há buracos como nos sítios onde se supõe que vive o eleitorado da Frelimo”.

Nas conversas de rua, café e barraca fica-se com a sensação de que os beirenses são pelo ver e não comentar, tudo para não beliscar a liderança de Daviz Simango, sempre ali considerada de “excelente”. É normal ouvir “será que Maputo não tem covas”? Bem, seria bom que a Beira tivesse avenidas salvas de covas como a Eduardo Mondlane, 25 de Setembro, Vladimir Lenine, Acordos de Lusaka e outras que em Maputo escondem um pouco o que se assiste nas ruas secundárias.

Há prédios cercados de covas que se enchem de águas das chuvas, o que constitui perigo para a saúde dos residentes. Salta-se nas avenidas, salta-se nas estradas e ruas, salta-se defronte dos quintais de residências e nas entradas de edifícios públicos e privados.

Para além das covas que tornam feio o centro da cidade da Beira, há a erosão que vai descaracterizando a mesma, com as águas do mar a entrarem cada vez mais para dentro da urbe.

Há quem diga que aquilo é só em tempo chuvoso e que depois todos os buracos serão cobertos. Só que, quanto mais tempo passa, os buraquinhos transformam-se em buracos e estes em buracões, cuja cobertura exigirá muitos fundos, que, provavelmente, a edilidade não terá e recorrerá a uma reabilitação de remendo parcial com areia.

Dizer igualmente que a cidade da Beira não é só buracos, pois, o outro cenário feio e perigoso se observa nas traseiras dos prédios onde fossas andam arrebentadas, deixando ao ar livre excremento, cujo cheiro polui certas zonas. Dos quintais correm autênticos rios de águas sujas que atentam contra a saúde e vida dos moradores e transeuntes. Nos mercados, como o de Maquinino, a comida é confeccionada em locais deploráveis em termos de higiene.

A Beira também precisa de ser pintada. Muitos edifícios reclamam pintura, incluindo a sede do Município.

No meio de tantas covas e imundície, destaca-se a boa conservação de praças, havendo muitas com relva e cadeiras bem tratadas. Só fica mal ver a praça dedicada aos heróis moçambicanos, mesmo defronte do ex-Cinema 3 de Fevereiro, naquele estado de abandono. Será que os chefes do Município da Beira não tiveram pessoas próximas na Luta de Libertação Nacional, cuja memória deve ser para sempre respeitada e recordada? Uma Beira de todos e para todos pode ser melhor que destes ou daqueles.

Felizmente, no passado, vivi numa Beira que melhor acomodava os seus residentes que a actual, que vi nos dias 14, 15, 16 e 17 de Março, andado a pé e de carro. É mesmo para dizer: Beira, quem te viu, quem te vê!

 Manuel Meque

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