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Segredos da logística do Porto de Maputo

  • domingo fez uma visita guiada aos portos de Maputo e Matola e partilha detalhes das operações desde a chegada até a partida de navios

No dia 25 de Outubro, domingo foi ao Porto de Maputo por volta das 12h30 para seguir na piloteira Tsemba (pequena embarcação de transporte de pilotos) até à boia 12P (boia de espera) localizada a sudoeste da ilha de Xefina Grande.

No comando da embarcação, que saiu do cais 1 às 13h00, estava o piloto Vicente Baptista, natural da província de Tete, que exerce a actividade há 16 anos na P&O Maritime – Moçambique.

A navegar a 11,4 nós, numa viagem prevista para durar uma hora, o piloto contou-nos que naquele dia era a sua segunda ida ao ancorador para buscar navios. “A rotina não tem sido fácil, porque há muito trabalho e pouco pessoal. Esta profissão requer grande responsabilidade, porque as manobras de navegação e de atracagem não são iguais”, disse em conversa entre-cortada pelo ruído do motor e das ondas que a embarcação atravessava.

Com janelas e portinholas fechadas, estávamos todos transpirados devido ao calor húmido que se fazia. Navegávamos aos solavancos por causa das ondas vivas, principalmente no intervalo entre as boias 23 e 26, situação que fez com que o mestre da piloteira, Guene Gentivo, anunciasse via rádio ao “port control” que reduziria a velocidade para 12 nós para fazer face às ondas.

Esta comunicação, segundo explicou, é fundamental por uma questão de coordenação com o comandante do navio, porque tudo deve ser feito dentro do período estabelecido.

“O nosso maior problema no mar é o mau tempo. Vocês estão com sorte, vieram num dia calmo”, disse, atento ao painel de controlo.

Formado pela Escola Superior de Ciências Náuticas, Vicente Baptista contou que diariamente faz três a quatro viagens à boia de espera, dependendo do movimento.

Pelas 13h50, o mestre da embarcação recebeu ordens do piloto para entrar em contacto com o navio para obter detalhes sobre a sua posição, velocidade e o lado seguro, tendo em conta a direcção do vento para se lançar a escada, denominada “parte-costas”, pela qual o piloto teria acesso à embarcação.

Às 14h00 em ponto, o piloto embarcou no navio através da parte-costa e tomou controlo da embarcação Zhen May, com 228 metros de comprimento, 8,76 de calado, que vinha carregar 47 mil toneladas de ferro-crómio.

De referir que os navios que entram nas águas moçambicanas com destino aos portos devem içar a bandeira nacional e os que não a tiverem têm de comunicar com antecedência ao “port control” para que os pilotos possam levá-la a bordo. Leia mais…

Texto de Idnórcio Muchanga
idnórcio.muchanga@snoticias.co.mz

Fotos de Carlos Uqueio e Félix Matsinhe

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