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Meu medo é perder a capacidade de inovar

É um criador por excelência. Um inventor de palavras e paladares para a mente. Mia Couto, que recentemente lançou o livro “O Caçador de Elefantes Invisíveis”, ganhou o prémio literário José Craveirinha. Antes recebera o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) do Brasil. Escrevinhador de livros, é um poeta “perdido” na prosa. Gentil, aceitou falar ao domingo. Entre várias linhas, mantém um combate contra o esquecimento, contra o silenciamento da memória colectiva, critica a pressa pelo sucesso. A conversa decorreu na Biblioteca da Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo. O escritor é de uma dimensão humana do tamanho da sua criação, mas receia uma coisa: perder o génio da criação. Haja fôlego para as linhas que se seguem…

NÃO TENHO MEDO DE NÃO SABER

Curioso que aos 67 anos Mia mantém a mesma vivacidade de quando começou a escrever. De onde vem essa energia?

Vou inventar alguma coisa porque não sei responder a isso. Essa pergunta implica uma coisa que ninguém tem, que é o conhecimento de si próprio. Fui uma criança muito feliz, com uma infância infinita e fui percebendo que nunca iria sair dali, uma espécie de pátria absoluta; portanto, aquele sentimento de surpresa, de encantamento de uma criança perante o mundo, que está sempre descobrindo, mantenho até agora. Porque não tenho medo de não saber, isto é, acho que o que a gente ganha como adulto perde como ser humano. Estou sempre à procura de qualquer coisa para aprender.

Estar sempre curioso, neste sentido…Leia mais…

TEXTO DE BELMIRO ADAMUGY
E PRETILÉRIO MATSINHE

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