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FEDERAÇÃO MOÇAMBICANA DE BOXE: Gabriel Jr. eleito presidente para unir a família do boxe

Por admin

O político (é deputado da Assembleia da República), empresário, apresentador de televisão e desportista Gabriel Xavier da Barca Júnior foi eleito, sexta-feira, 24 de Março, presidente da Federação Moçambicana de Boxe, num escrutínio em que venceu Nikis Esculudes por 5-1, votos de seis associações provinciais, nomeadamente Sofala, Nampula, Inhambane, Gaza, Manica e cidade de Maputo.

No cargo Gabriel Jr. vai substituir, quando tomar posse no dia 10 de Abril, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, Benjamim Uamusse (“Big-Bem”), que contra todas as expectativas não se recandidatou para o segundo mandato a que tinha direito por lei.

Com a concorrência apenas de Nikis Esculudes, Gabriel Jr. já cantava vitória com os seus parceiros de elenco. Em avaliações preliminares da sua campanha, presenciadas pela nossa reportagem, só a cidade de Maputo não votaria nele, o que veio acontecer, pois Nikis Esculudes, que não renunciou ao cargo de presidente da Associação de Boxe da Cidade de Maputo, votou em si mesmo.

Porque estava tudo acertado, “Big-Ben” não precisou de apresentar nenhum relatório de contas que reflectisse como aplicou os fundos atribuídos anualmente pelo Estado, através de contrato programa, e vindos dos organismos que tutelam o boxe em África e no Mundo.

O presidente cessante terá entrado em negociação para a viabilização da assembleia geral convocada para o dia 24 de Março pelo presidente da Mesa de Assembleia geral e a não apresentação das contas, já que o grupo do candidato, agora presidente, Gabriel Jr. exigia a efectivação da eleição de novos corpos gerentes da FMBoxe no dia em que acabou sendo realizada. Aliás, dias antes do escrutínio, “Big-Ben” teve encontros com a direcção do elenco eleito e depois todos juntos com o presidente da Mesa da Assembleia geral, Hélder Mangujo. Não importa dizer o que se decidiu nesses encontros, mas deixaram sossegados o presidente cessante de que podia partir mesmo sem prestar contas às associações provinciais, cuja vinda e estada em Maputo não foi suportada pela FMBoxe.  

Associações muito magoadas

Antes do escrutínio que deu vitória esmagadora a Gabriel Jr., o presidente da Mesa da Assembleia geral, Hélder Mangujo, deu a palavra aos presidentes das associações provinciais. E ouviu-se muita coisa contra a liderança de “Big-Bem”.

Ernesto Sixpence, presidente da Associação Provincial de Boxe de Sofala, começou por dizer que “dirigir não é fácil. De longe parece que o outro não faz nada. De perto vê-se que a bagagem é grande. Na província não sentimos a existência do boxe no país. É só na cidade de Maputo. Não temos material. Recebemos algum da federação, mas não chegou.”

Nikis Esculudes, o candidato que votou em si próprio na qualidade de presidente da Associação Provincial de Boxe da Cidade de Maputo, disse que “devia ser nesta assembleia que estaríamos reunidos a falar do boxe. Eu na cidade de Maputo nunca me senti acarinhado. Da federação não recebia material nem dinheiro. Se as pessoas que fazem o boxe não mudarem, o boxe não vai mudar. Mais do que ter um novo presidente, é preciso saber o que se passa com o boxe. O que se fez em quatro anos. O que melhorou e não melhorou. Eu, como cidade de Maputo, não senti nada.”

O presidente da Associação Provincial de Boxe de Gaza, Lucas Francisco Bombe, foi quem explodiu.

Aqui está toda a família do boxe. Temos de mudar de atitude. O presidente-eleito deve saber dar a cara e saber da saúde das associações. Fala-se de crise. Eu vivo crise há mais de trinta anos. Este presidente cessante em quatro anos não fez nada. Durante a sua campanha eleitoral estava sempre na minha casa. Quando ganhou o cargo de presidente da Federação Moçambicana de Boxe nunca mais se aproximou de mim. Os árbitros têm de ser do boxe e não do Matchedje ou do Ferroviário de Maputo. Gaza já deu ko, mas foi anulado pelos árbitros que estão aqui. Mentir que já deu isto e aquilo, enquanto não deu, não é bom. Nem um dia alguém da federação me deu algo. Se isto explode, vai cheirar tudo”, Lucas Bombe.

O presidente de Gaza foi mais longe ao afirmar que “ele (Big-Ben) viajava sozinho, sem treinadores, e não comia com ninguém. Recebe fundos e não dá um pouco a ninguém. Se querem estar no boxe para defender amigos, primos e enteados, o boxe não vai a nenhum lado.”

Para terminar, Bombe acrescentou: “Nós queremos ir longe. Já engolimos sapos vivos. Não vamos correr. Vamos discutir os podres do boxe.”

Francisco Leonardo, representante de Inhambane, começou por dizer: “Trago mágoas apenas. Sou atleta e membro da associação. Só tivemos apoio material em 2013 na véspera do campeonato nacional. Como é possível preparar um atleta em um mês para participar num campeonato nacional? Peço para que não se olhe somente para a cidade de Maputo. Inhambane quer praticar boxe, mas não recebe material de nenhum lado”.Já estamos unidos

 

–acreditam os “donos” do boxe

Os fazedores do boxe, dentre atletas, ex-atletas, treinadores, dirigentes e árbitros, acreditam que com a eleição de Gabriel Jr. a família do boxe pode já se considerar unida, deixando para traz o regime exclusivista de “Big-Ben”, ele que não terá seguido o princípio “a união faz a força.”

Para Archer Fausto, antigo praticante e vogal do Conselho Jurisdicional e de Disciplina do elenco eleito, a eleição de Gabriel “significa mudança. Em um pequeno gesto mostrou que vai elevar a moral dos fazedores do boxe para coisas boas que a modalidade vinha precisando. Apostamos numa pessoa ambiciosa. Vai mudar o rumo do boxe, apesar de não ser a sua área. Tem pessoas seguras no elenco. Ele já provou ser vencedor nas suas apostas.”

Lucas Sinóia, patrono da academia com o seu nome, ele que foi o elemento-chave nesta cambalhota do boxe que culminou com a renúncia de “Big-Ben”, só disse: “Todo aquele que fez boxe em Moçambique está feliz com esta eleição. Já podemos ir para a frente. Já estamos unidos.”  

Lourenço Manglaze, ex-pugilista, presidente da Associação Moçambicana de Boxe, instituição vocacionada à promoção do boxe profissional, conforme o plasmado nos seus Estatutos devidamente reconhecidos pelo Estado, acha que “todo aquele que sofreu no ringue, como eu, hoje está alegre. A felicidade chegou a todos nós com esta histórica eleição. A minha associação já pode andar mais. Teremos boxe amador e profissional a andar em paralelo. O futuro já começou.”

Para Paulo Jorge, ainda pugilista, treinador e gestor de boxe (é dono de uma academia de boxe), “a eleição de Gabriel Jr. é o que o boxe precisava. Temos de estar todos à sua volta.”   

Vou mudar o boxe

em dois anos e meio

–Gabriel Jr, presidente-eleito  

O presidente-eleito, Gabriel Jr., não se distraiu, manteve o discurso de campanha de mudar o rumo do boxe nacional em apenas dois anos e meio em mandato de quatro anos.

Obrigado. Agradeço as associações, mas em primeiro lugar ao presidente Big-Ben que ao se aperceber que Gabriel Jr. dava garantias de mais-valia ao boxe preferiu apoiá-lo”.

O elogio foi também para Nikis Esculudes que para Gabriel Jr. quando “toda a gente se via incapaz, ele fazia acontecer boxe na cidade de Maputo.”

Para o vencedor foram os presidentes das associações que lhe ensinaram “o caminho a seguir. Vou mudar o boxe em dois anos e meio. Eu sei de que o boxe precisa para ser marca. A estrela maior no meu mandato é a modalidade. O show vai começar!

Talvez recordar que promete trazer o empresariado e dinheiro ao boxe. Confessa que com ele no poder não vão faltar recursos para o país se encher de boxe, com garantia de que cada província terá um ginásio para a modalidade andar.

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Ganha a família do boxe

–Nikis Esculudes, candidato derrotado

O candidato derrotado, Nikis Esculudes, afirmou que com o que acabava de acontecer ficava a ganhar toda a família do boxe nacional.

Ganha a família do boxe. Ele (Gabriel Jr.) sabe onde deve estar a pisar. Que faça tudo para melhorar a modalidade. De promessas, estamos cansados. O boxe precisa de mudar, a começar da mentalidade da sua gente.

Quando questionado se antes da eleição admitia ganhar, Nikis não gaguejou e afirmou que “até ao último minuto tínhamos apoio das associações. Não diria que fui traído, pois sempre disse que no fim é que a gente sabe com quem contava.”

Embora já tivesse adiantado que a sua continuidade no boxe dependeria do ambiente no seio da modalidade, Nikis limitou-se a dizer “fiz o que pude pela modalidade ao nível da cidade de Maputo. Se vamos ou não continuar, é esperar para que haja mudanças no boxe.”   

 Tem muitas ocupações!

–Lucas Bombe, Gaza

Sempre disposto a falar, Lucas Bombe, presidente da Associação Provincial de Boxe de Gaza, após o escrutínio ganho por Gabriel Jr., conversou com domingo.Disse ser credível, mas gostaria de saber se, com tantas ocupações que tem, não lhe vai faltar tempo para o boxe.

O que acha da eleição de Gabriel Jr.?

Vou dizer a verdade: o nosso candidato tem muitas ocupações. Não sei qual vai ser o seu plano para guiar o boxe nacional.

Acha que é ideal para presidente da federação?

Ele é credível. Infelizmente, não sei como vai guiar isso.

Espera melhorias no boxe?

Tenho a certeza absoluta que ele, conforme o seu pronunciamento, vai fazer alguma coisa para mudar o rumo da modalidade.

O seu manifesto é encorajador

Manuel Sousa, Manica

O vice-presidente da Associação Provincial de Boxe de Manica, Madeira Manuel Sousa, considerou que com a eleição de Gabriel Jr. o boxe pode ganhar espaço naquela província.

Ganhou Gabriel Jr. Que espera?

Com esta eleição espero que o boxe ganhe espaço na nossa província. O seu manifesto é encorajador. Apelamos que cumpra na íntegra o planificado, aquilo que está no seu manifesto.

Há boxe em Manica?

Fazíamos boxe à nossa maneira e sem apoios. Houve uma cultura imposta pela federação que era de movimentar boxe só na véspera de um campeonato nacional. Foi o que cultivámos em obediência à federação.

Manica tem ringue?

O nosso ringue está a apodrecer na Beira.

Porquê?!…

Não conseguimos meios financeiros para transportá-lo da Beira para Chimoio. Praticamente já não se aproveita, porque está em avançado estado de degradação.

Deve ouvir-nos sempre

Ernesto Sixpence, Sofala

Ernesto Sixpence é a cara do boxe em Sofala. É presidente da associação provincial e dono de uma academia com 42 pugilistas. É muito influente nas políticas de mudança no boxe nacional. Por vezes é seleccionador provincial e já foi do país.

Ganhou Gabriel Jr. O que tem a dizer?

Se cumprir com o seu manifesto haverá boxe. Sofala tem academias. A minha já conta com 42 atletas.Tem tido apoio ao nível da província?

A verdade é que na província não temos apoios. O único apoio é do lugar para guardar ringue. Nem da federação temos recebido apoios.

Julga que haverá mudanças com Gabriel Jr. na federação?

Vamos apoiar a mudança, desde que nos oiça sempre. Há pessoas que quando tomam posse já não ouvem os que lhes elegeram.

Espera o contrário com o presidente-eleito?

Júnior é uma pessoa ideal para processar mudanças no boxe. Não interessa que não tenha praticado a modalidade.

NO ELENCO DA FMBOXE

Mesa da Assembleia geral

Presidente – Hélder Mangujo

Vice-presidente – Osvaldo Muchanga

 Secretária – Maria Doménia Maposse

Direcção

Presidente – Gabriel Xavier da Barca Júnior

Vice-presidente para a área de marketing – Marcus Araújo

Vice-presidente para a área de administração e finanças – Sandra Langa

Vice-presidente para a área de alta competição – Paulo Patrício

Vogal para a administração e Finanças – Feliciano Xavier

Secretário-geral António Hélio Dabo

Conselho Técnico

Director – António Paulo Mondlane

Coordenador das selecções nacionais– Horácio Alberto Quepisso

Coordenadora do boxe feminino– Rufina Cossa

Coordenação do boxe semi-profissional – Associação Moçambicana de Pugilistas

Comissão Nacional de Árbitros

Presidente – Filipe Limónio

Vice-presidente – Simão Cardoso

Vogal – Hélder Naiene

Conselho Fiscal

Presidente – Bartolomeu Sidónio Paulo

Vice-presidente – Jorge Maurício

Vogal – Ludovina Augusto Manhique

Conselho Jurisdicional e Disciplinar

Presidente – Sidónio Chifule

Vice-presidente – Alexandre Viega Mangujo

Vogal – Archer Fausto

Texto de Manuel Meque

manuel.meque@snoticicas.co.mz
 

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