Política

RDC E A MANTA DE RETALHOS

Ao que o domingo apurou a árvore do problema ora vivido no leste da RDC tem raízes fasciculadas profundas e muitos galhos secos no seu cimo. Ou seja, as suas causas vão para além da 

simples manipulação política da violência, assente em motivações de cariz étnico-tribal, e se estendem a uma frenética cobiça e guerra, dentro e fora do país, pela exploração dos recursos naturais (com maior pendor para os minerais) que abundam naquela região e desaguam no progressivo desgaste da imagem e legitimidade vertical e horizontal do presidente Kabila, principalmente no seio do próprio exército regular.

Como se tudo isso não bastasse, a acção dos rebeldes do M23 conta aparentemente com a cumplicidade e apoio camuflado de alguns países vizinhos da RDC os quais se vêm apertados com problemas socio-económicos (sobretudo demográficos) e que os seus cálculos maquiavélicos, do ponto de vista geo-estratégico, lhes têm empurrado para o patrocínio da desestabilização que se vive, nos tempos que correm, no Congo.

Ao que tudo indica, o que se está a passar em Goma, região rica em minérios valiosos, parece ser apenas o lado mais visível de um problema bicudo que decorre de uma sucessão de vários “probleminhas” e “problemões” que, ao longo do tempo, foram sendo apenas “geridos”, na melhor das hipóteses, e, na pior, mal resolvidos, configurando, deste modo, uma situação semelhante a uma “manta de retalhos”. 

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