Política

O RECUO ESTRATÉGICO DO M23 …

O M23, sigla que decorre do facto de tal movimento rebelde ter iniciado o seu motim a 23 de Março do ano em curso, constituído apenas por qualquer coisa como 1.500 homens está 

efectivamente a causar “dores de cabeça”, há sensivelmente nove meses, não só ao presidente Joseph Kabila e seu governo como também aos líderes da África Austral, bem assim de outros actores relevantes com interesse em ver restabelecido o ambiente de concórdia naquele Estado membro da SADC.

É assim que apesar do recente recuo das tropas rebeldes do M23, para cerca de 20 quilómetros para além do centro da cidade de Goma, os líderes da SADC continuam empenhados na busca de uma solução definitiva para este imbróglio embora o “recuo estratégico” dos rebeldes esteja já a ser encarado no seio desta organização regional com alguns laivos de satisfação e como sinal de que a “qualquer momento” a paz pode voltar a reinar no leste da RDC.

“Ao nível da SADC, acredita-se que a retirada em si (ou afastamento) dos rebeldes do M23 pode significar o principio do fim de um longo e sinuoso processo rumo a almejada pacificação e restauração da tranquilidade e ordem  na República Democrática do Congo (RDC). Mas isso não é tudo. As partes têm que se reconhecer mutuamente para poderem sentar e dialogar franca e abertamente em torno deste conflito que esconde contornos e causas muito mais profundas e complexas das que até aqui se ventilam publicamente”, disse ao nosso jornal fonte diplomática.

A nossa fonte fez notar que o M23 não obstante ter aceite recuar para um raio de 20 quilómetros da cidade de Goma faz parte do grupo tripartido que assegura a protecção do Aeroporto local, o qual para além de elementos do exército governamental, integra ainda uma força neutral. Isto equivale dizer que se está a reconhecer o M23. 

Aliás, o Secretário Executivo da SADC, Tomaz Salomão, alinha mais ou menos pelo mesmo diapasão, pois considera que os novos desenvolvimentos na região dos Grandes Lagos resultam de uma conjugação de esforços de múltiplos actores a nível da SADC, cuja presidência rotativa foi assumida este ano por Moçambique, e que visam buscar uma solução pacífica para a crise político-militar que se vive na RDC e que já levou à morte e ferimento de centenas de pessoas incluindo civis inocentes. 

Salomão destacou o envolvimento e as demarches efectuadas pela União Africana (UA), pela SADC, pela Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), as quais culminaram recentemente com o início das negociações em Kampala, no Uganda, com vista a se pôr termo ao conflito no leste da RDC. Para esta Cimeira de Dar-Es-Salam, foi convidado o presidente da CIRGL, Yoweri Museveri, que esteve em consultas sobre a situação. 

Aliás, conforme noticiou a imprensa local, um grupo de cerca de 10 negociadores de cada uma das duas partes em conflito, bem como um representante de cada um dos 11 países membros da (CIRGL) vem participando nas referidas negociações.
Um dos delegados da rebelião nas negociações, Réné Abandi, é citado como tendo indicado que entre os assuntos prioritários até aqui abordados figuram a questão da reabertura do posto fronteiriço de Bunagana, que liga o leste da RDC ao sul do Uganda, para permitir a livre circulação de pessoas e bens nesta região.

No entanto, importa referir que se adensam as acusações de que tanto o Ruanda assim como o Uganda apoiam o M23. Estima-se que mais de 1.000 tropas ruandesas combateram ao lado dos rebeldes, enquanto que Kampala é acusado de ter garantido apoio logístico. Isto tudo surge numa altura em que Kabila aparentemente perdeu o apoio incondicional de Angola e do Zimbabwe.

“A SADC sempre se pronunciou a favor da criação de condições no seio do governo da RDC favoráveis para o diálogo com os rebeldes e sentimos que essa vontade sempre existiu. Mas também aos rebeldes dissemos que tinham que parar com as suas operações militares para se dar lugar ao diálogo. E àqueles países que eventualmente apoiam ou apoiavam os rebeldes instamo-los a pararem com isso. Esta foi sempre a posição da SADC”, elucidou Tomaz Salomão, para quem a pacificação da parte leste da RDC é a solução de fundo desejada. 

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