Opinião

Um relojoeiro vencido pelo tempo

O tempo deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas… Mas, acima de tudo, o tempo traz verdades!

O tempo tem o estranho poder de apagar das nossas memórias coisas que fizeram parte das nossas vidas. Às vezes, penso que é o jeito que a natureza inventou só para criar espaço nas nossas memórias para coisas novas… ou se calhar não é nada disso, mas um truque para nos fazer avançar sem olharmos tantas vezes para trás. É que os fantasmas podem nos tolher os passos e retardar a nossa marcha. Há quem diga ainda que o tempo é algo que temos grande dificuldade em administrar. Estamos sempre a um passo atrás ou à frente…

De qualquer modo, o tempo, às vezes, dá-nos um tempinho – uma espécie de rasgo repentino – para olharmos para o passado e nele descobrirmos coisas que, sendo do antanho, permanecem, curiosamente, actuais. Um lugar onde se viveu coisas boas há-de sempre trazer boas vibrações. Boas lembranças, animam-nos… ou se pudéssemos fazer um acordo com o tempo, como o fez Mário Lago, que concordou com o tempo: nem ele foge, nem o tempo o persegue… na esperança de um dia se encontrarem. Queria eu fazer esse trato com o mestre tempo… mas não vejo como, apesar das partidas que volta e meia me prega, ainda que ciente de que limitações são fronteiras criadas pela mente.

Pois bem, na tentativa de passar o tempo – como se isso fosse possível –, liguei o rádio e quem me recebe é nada mais, nada menos que Eugénio Mucavele, homem celebrizado pela canção “Male ya Phepha”. Mas não é com esse hino que me abraça; é com “Magilidana”, essa magnífica elegia ao amor. O que chama particular atenção nesta canção é precisamente o lamento amoroso. É que a “Magilidana” troca-lhe as voltas. Vezes sem conta marca encontros com o apaixonado, mas nunca aparece. O homem já se viu na contingência de ser enjaulado. Já alimentou mosquitos, nessa infinda espera pela “Magilidana”. A sua alegria nunca se completa por causa desse amor carnívoro. Leia mais…

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