Opinião

Um jornalismo deplorável

Quando um jornal para aprender a escrever ou a fazer jornalismo “bate” com todas as notas o Governo é por ser jornalismo encomendado. Um jornal a procura de

mercado deve ser isento e acuradamente informativo para fazer a diferença. O primorismo assente nesse pressuposto actua para que haja um espaço dedicado a um debate salutar de ideias, que aos poucos aglutina camadas mais culturalmente lúcidas e identificado com a qualidade do projecto.

 

Na verdade, a maioria dos jornais moçambicanos pratica um jornalismo deplorável. Deveriam ser informativos e educativos, contudo, preferem a fofoca, má-língua e a baixeza. Mais perecem pasquins de publicidade e outros limitam-se a uma linha editorial digna de revistas cor-de-rosa.

A meu ver, tudo isto deve-se ao facto de em grande parte deles haver investidores estrangeiros, todos eles procurando protagonismo, mas acabando por colocar uma pata na poça.

Como dizia o filósofo, “a media e a economia a partir do século XX deteriam o papel preponderante na condução de políticas dos executivos”.

Eu diria que a combinação dos dois, economia e media podem relevar a forma como o cidadão se revê na governação e planificação de politicas macroeconómicas do Governo. Apenas um jornal responsável e abalizado pode diagnosticar quase cientificamente o resultado da gestão económica de qualquer governo e informar com exactidão irrepreensível. Pede-se seriedade ou deontologia profissional.

Em todas sociedades, há sectores dicotomicamente identificados com a esquerda ou direita com uma media em sintonia exprimindo a visão de ambos, mas o que se passa em Moçambique, é mais uma orquestração engendrada contra o Executivo de Armando Guebuza e contra o partido Frelimo.

Direi mesmo que este tipo de orquestração tem produzido eco em Gorongosa com os batuques a soar de acordo com a sinfonia.

A sociedade moçambicana está em permanente mutação, sendo necessário entender o fenómeno de insatisfação de alguns sectores da sociedade, reflexo das discrepâncias sócio-económicas evidentes. Algumas pessoas menos entendidas e aparentemente distraídas deixaram-se mobilizar pela ingestão de noticias incendiarias, e levianamente difundidas por esses jornais, começando a ter noção exacerbada dos recursos existente no país; a intenção, era que as pessoas economicamente mais pobres que formam o grosso da base de apoio ao partido Frelimo se apartassem do partido.

 A estratégia dos jornais identificados foi quebrar a aliança natural entre povo moçambicano e partido Frelimo que remonta do tempo da luta de libertação nacional, abrindo uma brecha a que outro partido surgisse como alternativa válida. Não é por acaso que a Renamo vem tentando captar a insatisfação de certos sectores, surgido como defensor dos fracos. A questão é: alguma vez a Renamo foi sensível ao sofrimento dos moçambicanos? A resposta é NUNCA!

Alias Dlhakama faz questão de lembrar que está associado à guerra de triste memória que nenhum moçambicano quer nem lhe perdoará nunca.

 

Quanto à questão dos recursos, parece uma questão de equação simples, mas não é. Efectivamente, esses recursos existem, mas só serão abordáveis economicamente ou redundar em benefício geral nos cofres do Estado a partir de 2018.

Efectivamente, se lacunas sociais existem. É nosso dever como cidadãos analisá-las e abordá-las com a finalidade de contribuir em ajudar o Governo através dos canais adequados para ultrapassá-las.

 

Existe uma elite económica definida, uma classe média por consolidar, contudo, a maioria da população, e que vive nas zonas rurais é pobre. É ainda pobre porque a despeito do enorme esforço do Governo em dotar o campo de mecanismos de desenvolvimento, a fraca existência de infraestruras económicas, requer uma maior persistência na política de desenvolvimento económico sustentável. Por exemplo, a política do Governo, vulgo 7 milhões implantado, tem sido um sucesso para autosuficiencia económica local a nível dos distritos, contudo, deve haver apoio suplementar àqueles que desejam mecanizar o seu empreendimento. O apoio de bancos rurais seria uma opção válida, como opção para que aqueles que para além da cultura de subsistência pretendem vender os seus produtos ao mercado do distrito ou ao Estado. Bancos rurais são referência em vários países no apoio ao germinar da vida no campo através de apoio a projectos agro-pecuários e cooperativas agrícolas.  

Continuo a achar que o Estado não deve ser o principal empregador, mas quanto a isso o futuro é o grande remédio. O sector privado através do investimento estrangeiro mais o Governo através das empresas públicas devem gerar mais empregos. O combate para a redução da pobreza é tarefa de todos os moçambicanos, a sociedade civil inclusive, e não só tarefa do governo e de algumas organizações internacionais e países amigos.

 

É incrível como estes jornais, por estarem empenhados em escalpelizar Guebuza e o partido Frelimo, até se esquecem de estimular acções de solidariedade social, uma atitude que é normalíssima em sociedades humanamente evoluídas.

 

De ressalvar que um jornal quando pretende o protagonismo põe-se a inventar e isso não é jornalismo, é sensacionalismo. Em democracias bem consolidadas, este tipo de comportamento tem levado o governo, neste caso ministros, secretários de Estado, a mover acções judiciais contra este tipo de jornalismo. É importante que se saiba que a liberdade de expressão não deve servir de pretexto para denegrir, insultar ou ofender quem quer que seja, muito menos a um Chefe do Estado.

Essa liberdade que nos é garantida constitucionalmente ao mesmo tempo responsabiliza-nos juridicamente perante a sociedade. Não se pode usar o jornalismo como fazem o Canal de Moçambique, cuja missão parece ser destituir o Executivo dirigido de Armando Guebuza. Para mim quem fica mal na fotografia é o próprio jornal, porque devido à prática saber-se que está ao serviço de agentes de desestabilização política, ao se saber que está ao serviço da oposição política, qualquer que seja o preço, desde que a imagem do Executivo saia enfraquecido o seu raio de acção diluído.

Sempre disse que há pessoas que quando olham para a África vislumbram de imediato uma mina de diamantes, e mesmo que para isso tenham de plantar as sementes da discórdia.

Efectivamente, os inimigos da democracia moçambicana vivem transvestidos de ideias fatalistas que os levarão naturalmente à cova de frustração. Nós, os moçambicanos, tudo o que conseguimos até aqui, foi com sacrifício e saber. Muitas vezes tivemos de nos reinventar para continuarmos o trilho do desenvolvimento. Em todas batalhas em que participámos, vencemos, aprendendo com os erros.

O jornal Savana é outro com o seu laconismo de entrevistas dadas por personalidades vocacionadas a falar mal e depressa do Executivo. Mas não são só estes. Existem outros da mesma laia cuja missão, amiúde, reflecte a veia oposicionista contra o Executivo moçambicano.

 

A este tipo de jornalismo classifico-o ao mesmo nível de certo investimento estrangeiro, que em vez de sê-lo merece ser atirado ao lixo. Não contribui em nada na criação de nada de raiz ou de cariz patriótica, nem acrescenta nada em matérias de valor acrescentado. É só lixo susceptível de criar confusão em incautos. Não é o investimento de que precisamos. Na comunicação social moçambicana assiste-se a tipo de jornalismo decadente e amoral, destabilizador da ordem pública e da tolerância do Estado, onde abundam insultos e falta de respeito a membros do Governo e onde o próprio Chefe do Estado e família são achincalhados. Se o estado de governabilidade fosse desfocado da realidade não se assistiriam a estabilidade económica, nem aos investimentos estrangeiros sempre em crescendo, nem ao fluxo migratório, fugindo, esses sim, muitos deles, da precariedade, desemprego e a desgovernação nos seus países de origem.

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