Opinião

Um inimigo público a eliminar

Há assuntos, há afirmações, há pronunciamentos públicos de membros do governo, que encoraja ler. Que merecem ser lidos. Por reflectirem profundo conhecimento 

da realidade em que estamos inseridos. Por Mostrarem profunda sensibilidade na gestão da coisa pública. Tanto mais que não são muito frequentes os casos do género. São raros. Em que são reconhecidos erros e desvios de comportamentos. Estamos a referir-nos, neste caso concreto a afirmações feitas pelo vice-ministro do Interior. Em Inhambane (“Notícias” do passado dia 18, página 5). A propósito de comportamentos errados de alguns membros da Polícia. Em particular da Polícia de Trânsito. Escreveu o matutino de Maputo, sob o título “Não usem a nossa farda para roubar”,que aquele governante (…) repudiou ontem, em Inhambane aqueles que chamou de infiltrados na Polícia, que com recurso ao uniforme a armas da corporação intimidam, extorquem e maltratam os cidadãos nacionais e estrangeiros. Com efeito, Mandar deu ultimato a esses agentes para abandonarem a corporação porque, segundo prometeu, o lugar deles não é na Polícia, mas sim na cadeia, para onde serão encaminhados os desordeiros. Estas palavras terão sido proferidas em resposta a queixas apresentadas por operadores turísticos da citada província. Mais adiante, o “Notícias” cita o vice-ministro a dizer que Por favor não se escondam atrás de arbustos com máquinas de controlo de velocidade para ameaçar os automobilistas. Tomem emboscadas contra criminosos e não contra população, muito menos contra os nossos hóspedes. Essa farda e as armas que têm são para defender a população e não para se aproveitar delas para actividades ilícitas. Não serão ricos roubando. O governante terá anunciado, na ocasião, medidas severas contra os fora-da-lei.

 

Só temos que nos congratular com a posição pública do governante. Em resposta a questões que, podendo parecer pontuais e locais, o não são. Trata-se, afinal, de questões que acontecem em diferentes locais e ao longo do tempo. Agora, uma vez bem conhecida a realidade, havendo, de facto, conhecimento do que se passa nas nossas estradas – na cidade de Maputo também é um pouco assim – importa questionar: Que fazer? Com o comportamento profundo que tem da realidade, confiamos que o Ministério do Interior saberá tomar as medidas adequadas para corrigir estes desvios de comportamento. E para alterar radicalmente a situação que se vive nas estradas nacionais. Para inverter a situação. Talvez se o senhor José Mandra, como simples cidadão, fizer uma viagem por terra entre Maputo e Xai-Xai ou Inhambane, possa perceber ainda melhor a razão de tantas queixas. Já agora, dizer, que esses agentes da Polícia que se fazem emboscar na EN 1, na maioria dos casos, não se fazem transportar em viaturas identificadas como sendo da Polícia. Eles deslocam-se em viaturas civis, com matrícula igual ao do comum dos cidadãos. Por fim, e já que voltámos a escrever sobre o mau comportamento de agentes policiais, queremos deixar um pedido. Um apelo. Por favor, mande acantonar, definitivamente, esses “cinzentinhos”. Esses boçais não têm nada a ver com a fiscalização automóvel. Nem esta é uma actividade que lhes esteja atribuída. Quem lhes manda fazer o que fazem, actuar como actuam, quem os comanda, não me compete averiguar, investigar. O que sei, de concreto, é que um inimigo. Um inimigo público a eliminar.

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