Opinião

TEMPO DE PARADOXOS

“ …já é tempo, SENHOR, para intervires, pois a TUA lei está sendo violada…” Salmos 119:126

Hoje gostaria de saber fazer, descrever e escrever (para certas pessoas), em português, aquele gesto que as minhas avós me diziam que era feio e irreverente, antes de iniciar este meu monólogo. É que, as mulheres da minha terra quando desdenham algo, (uma informação, uma noticia ou uma constatação), juntam os lábios e, entre dentes e língua fazem uma espécie de funil e deixam escapar ar que produz um som de troça. Em Changana-Txopi-Ronga, chama-se a isso ku minula/kun mfuta). Não é um gesto de raiva, que seria (ku klookola), mas, simplesmente de zombaria, de repulsa e algumas vezes de desabafo. Os colonos portugueses (homens), faziam um sinal correspondente mais ou menos a este, não à moda de mulheres da minha Terra, mas com o dedo do meio, ou braço. Um sinal mauzinho! Eles chamavam a isso deObter mais resultados de discussões

 “Manguito”. De facto, alguns acontecimentos me enfastiam, por paradoxais e me movem para me comportar mal. Parece-me que é tempo do impossível acontecer. Estamos no reinado de masingita/malavi, em que o imprevisível é previsível. O inverosímil tornou-se corriqueiro. Trivial. Por exemplo, aquilo que era adquirido com muito esforço, a aquisição tornou-se numa bagatela. O segredo deixou de ser a alma do negócio. Já porque o adultério não é crime, de igual modo oinjuriador, o difamador, ocaluniadortambém passeiam a sua classe denodados e serenos. O sexo abandonou o silêncio, despiu-se da intimidade e saiu do “anonimato”. Como um dia o Norte-americano Woody Allen poetizou: “…assim,o sexo perdeu aquela venera confiante, que movia o homem n’um namoro aliciante,quando a paixão era sexo, sexo era paixão!” Hoje em dia, fazer sexosemamor,sem nenhumaentrega de ambos os parceiros, apenas como negócio, faz parte do quotidiano, principalmente dos citadinos que encontraram nisso uma forma de “subir” de estatuto.Entre casais jovens, não gerar filhos deixou de ser uma preocupação.A pergunta que outrora embaraçava muitos pais: “pai, como são feitas os bebes?”, transformou-se numa anedota sem graça, porque qualquer impiloso (imberbe) adolescente, não só sabe como são feitos os bebés como até já há púberes que se tornaram mães aos doze anos de idade. Na indumentária masculina, a Cueca, concebida como roupa interior hoje vulgarizou-se!Em nome da moda eou da liberdadeo manto diáfano da fantasia tornoua Cueca numa peça de roupa exterior, visível e já faz parte da identidade da pessoa que a usa comosinónimade introvertida, muitas vezes conotada com homossexualismo. As viagens que duravam dias ou meses, para a sua realização, hoje fazem-se num ápice. Dormir em Maputo e acordar no Rio de Janeiro tornou-se tão comum, tão banal para alguns Moçambicanos e Moçambicanas, como é igualmente é vulgar, utilizar os seus estômagos que a mãe natureza os concebeu para formar o bolo alimentar queé modificadoemquimo, através de movimentosperistálticos, agora servem também como armazém para alojar produtos altamente perigosos para o organismo por serem venenosos mas rentáveis porque numa simples mágica “abracadabra”, os donos desses estômagos se transformam em proprietários de carros de gama, casas de luxo e contas bancárias com vários números à esquerda dum cifrão! Até há coisa de uma dezena de anos, muitos Moçambicano(a)s só conheciam o Brasil através das novelas da “Rede Globo”. Hoje, é tão banal um(a) paupérrima(o) Moçambicano(a) sair de Maputo rumo a São Paulo, capital económica Brasileira como um “Zé Ninguém”, um anónimo que viaja na classe económica, sem alarido para um ou dois dias depois tornar-se numa figura das Televisões por utilizar rotas complicadas de regresso a Casa em Classe Turística, atravessando três continentes em pouco tempo. Já célebre pelafacilidade com que se saiu nas coisas difíceis (ingerir droga pesada e permanecer vivo), vem depois encontrardificuldadede passar na alfândega, coisa tão fácil para qualquer mortal. Enquanto conterrâneas e conterrâneos nossa(o)s, em muitas aldeias deste vasto Moçambique sucumbem de fome, de sede e de malária trazida pelas cheias e inundações, nas avenidas e estradas da barulhenta e profana cidade de Maputo a riqueza contagiante passeia a sua classe. Garotas desafogadas viajam sem pressa nem destino nos seus “aerólitos” de gama, com a face esbranquiçada e besuntada, mascarada de óculos de vidros escuros, tornando o já desastroso tráfego rodoviário num verdadeiro caos. Para o cúmulo destes paradoxos todos, gente até aqui nunca vista, aproveita a oportunidade para tirar dividendos, lançando-se nas televisões quais fariseus, fazendo publicidade da sua aparente “filantropia”.Hipócritas! Fariseus! Ser fariseu é uma conseqüência, um produto resultantede uma teoria de vida que valorizao “eu” e aquilo que o “eu” faz. Vê tudo de bom que ele recebe do Divinocomo sendo por mérito próprio, em lugar de ver como sendo unicamente por misericórdia Divina. Uma forma de vida baseada no egocentrismo.A fumaça da modéstia que nos faz acreditamos que não valemos nada é substituída por uma lisonja, uma espécie de um afrodisíaco profissional que cria o desejo ardente de ser visto e aplaudido. Para fazer transbordar a minha cachimônia,  recebo a noticia de que, um primo meu Sacerdote de profissão com uma carreira impecável e invejável como Cura d’Almas, acaba de cometer uma impudicie vil e repugnante. Casado há mais de um quarto de século, pai de seis filhos, Doze netos, Sessenta e Cinco anos de idade foi “flagrado”, forçando uma neta de Catorze anos a “sexuar” com ele. Alega-se que um curandeiro (surpreendam-se!) garantiu-lhe que com esse feito de misturar o seu sangue com a de uma inocente, iria ser proclamado nas próximas eleições da sua seita religiosa, ao maior Posto! O pior das desgraças foi que a minha tia, sua mulher (dele), não resistindo ao vexame, dirigiu-se ao mais forte dos ramos de um cajueiro e entregou a sua alma ao Criador usando uma corda no pescoço! Ao que leva a cobiça, a ambição desmedida pela fama e pelo poder! Quem sairá ileso a este Tempo de Paradoxos!

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