Opinião

Silêncio a mais

Parece ter voltado à normalidade o abastecimento de energia à cidade de Maputo. Interrompido devido a explosão na Central Térmica e que causou a morte de um técnico da EDM. Sobre as

 causas da referida explosão, até ao momento sabemos pouco mais do que nada. Recorde-se que não passa muito tempo, caso semelhante registou-se no posto de transformação da UEM. Também aqui pouco ou nada se soube sobre as verdadeiras causas do acidente. Aliás, os gestores da EDM parecem que pautam a sua actuação pelo secretismo, pelo mutismo. Durante todo o tempo que durou o “apagão” não lemos nem ouvimos explicação sobre o que se estava a passar. Muito menos por quanto tempo iríamos estar privados de energia. Só sabíamos que tínhamos energia quando tínhamos. E que não tínhamos quando não tínhamos. Quando era cortada. Sem qualquer informação ou aviso. Entende, pelos vistos, a EDM que não merecemos tanto os seus clientes. Que não é direito dos seus clientes saber o que se estava a passar. Mas, definitivamente, é. Uma “ponta do véu” que cobria o mistério, o segredo, já começou a ser levantada. Na sua edição quarta-feira (página 3), o “Notícias” titulava: “Reposto fornecimento de energia à capital”. E escrevia que A Electricidade de Moçambique garantiu ontem ter conseguido repor o fornecimento de energia eléctrica à capital do país depois de sucessivos cortes que deixaram a cidade às escuras durante todo o fim-de-semana. Ainda segundo a local, O administrador executivo da empresa, Adriano Jonas, explicou que o restabelecimento só foi possível na manhã de ontem quando se concluiu a correcção de um erro detectado no ensaio efectuado na linha que estava para voltar a electrificar Maputo. Mais disse o gestor da EDM, reconhecendo o erro de palmatória cometido que Montámos duas linhas e durante os ensaios descobrimos que uma delas tinha os motores a funcionar numa rotação contrária à prevista. Tivemos que corrigir o erro para evitar eventuais irregularidades e conseguimos estabelecer a corrente na cidade. É caso para comentar bem dita incompetência. Bem dita a incompetência dos técnicos da EDM. E que podem fazer tudo o que querem e como querem. Pela simples razão de que a incompetência não paga imposto. Menos ainda é punida como crime público. Até ver. Já na sua edição do dia seguinte, quinta-feira, o matutino de Maputo titulava em primeira página que ‘Reparação da subestação deverá durar 12 meses”. E escrevia que A Electricidade de Moçambique (EDM) vai precisar de 12 meses para reparar os danos provocados pela explosão na Subestação da Central Térmica de Maputo, ocorrida na madrugada do último sábado, vitimando igualmente um técnico da empresa. Seguem-se um conjunto de explicações técnicas fornecidas pelo PCA de EDM em conferência d Imprensa. Quanto aos motivos da explosão, o silêncio continua a valer ouro. O mesmo é dizer nada. Ou apenas que não é normal com este tipo de equipamentos que são normalmente fiáveis. Infelizmente, para nós, tal não se apresenta assim. Se o problema é dos equipamentos ou é nosso, é questão que merece o sacrifício de investigar. E, convenhamos, pensar nem custa muito. É, em primeiro lugar, um acto de soberania. E uma atitude que deveria ser constante e permanente da chamada “geração da mudança”.

 

Deixemos os dramas. Ou deixemo-nos de dramas. Falemos da realidade. O “apagão” terá provocado prejuízos em diferentes sectores, em diferentes ramos de actividade. Mais ou menos elevados. Esta a EDM consciente desta realidade? Dos prejuízos que causou aos seus clientes? Embora involuntariamente. E está disposta a fazer a reposição dos danos que provocou. Ou, como parece ser sua marca de funcionamento vai refugiar-se no silêncio? Recordar que nem o segredo nem o silêncio são sempre a chamada “alma do negócio”. E, aqui, parece que também não. A verdade, é que parece haver silêncio a mais.

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