Opinião

OLHANDO MOÇAMBIQUE COMO CRIANÇA VÊ-SE MELHOR O SEU CRESCIMENTO (1)

O crescimento de um país, como o que Moçambique regista desde que se tornou independente há cerca de 39 anos, mas principalmente a seguir ao fim, há 21 anos, da guerra desestabilizadora desta mesma Renamo que agora está tentando reactivá-la, assemelha-se ao crescimento de uma criança ou ao envelhecimento de uma pessoa.

Para quem vive sempre com essa criança, ou com essa pessoa, não consegue ver tão nitidamente quão está a crescer ou quão está a envelhecer, à medida que os anos se vão somando uns atrás dos outros.
Mas para quem os tenha visto antes mas que por qualquer razão passa a não vê-los mais por um bom par de anos, quando volta a revê-los, fica bastante surpreendido ao se aperceber quão essa criança cresceu ou pessoa envelheceu.
Regra geral, quem volta a ver essa criança, solta um grito de espanto e satisfação, do tipo AAAhhhh, como cresceste menino ou menina! Já estás um homem ou uma mulher. Que bom!
No caso da pessoa que voltamos a vê-la já mais velha, não soltamos o mesmo grito no seu ouvido para não ferir-lhe as susceptibilidades, mas o dissemos cá para os nossos botões ou para pessoas da nossa confiança que tal pessoa envelheceu.
É interessante que há muitas semelhanças entre o crescimento de uma criança e de um País, em relação a quem está sempre a viver nele e para quem volta a vê-lo passados muitos anos de ausência.
Tal como acontece com as crianças, em que os que estão sempre com elas não notam tão bem que estão a ganhar mais altura e mais corpo, também os que estão sempre num País não se apercebem tanto assim que está a crescer como o vêm os que voltam ao mesmo volvidos um-par de anos de vivência noutros cantos do Mundo.
Apercebi-me desta semelhança em relação ao crescimento do nosso País neste caso concreto, quando, este último fim-de-semana, fui buscar no Aeroporto Internacional de Maputo um primo meu de nome Alfeu que saíra daqui do nosso País na hora em que nos tornamos independentes, e foi se fixar em Mboweni, como era então mais conhecido Portugal pelos moçambicanos de raça negra.
O seu primeiro espanto foi o próprio edifício do nosso Aeroporto. Ah, quão novo, diferente e bonito está agora este Aeroporto meu irmão! Eh pááá! Isto é outra coisa mesmo que só está no mesmo lugar!!! assim exclamou ele com toda a força dos seus pulmões, no que me trouxe de volta um outro espanto igual de outro retornado moçambicano, de nome Orlando Dourado, que saíra de Moçambique nos anos 60 com o agora antigo Presidente Chissano e o agora também antigo Primeiro-ministro, Pascoal Mocumbi, e que só regressou há cerca de quatro anos.
Na verdade, este espanto do meu primo foi se tornando eterno, à medida que foi vendo a própria cidade de Maputo e os seus novos bairros residenciais que contrastam pela estética e beleza com os bairros de caniço e zinco que circundavam a então Lourenço Marques ou chamada cidade de cimento que então só era habitada por pessoas de raça branca.
Ahhhh meu Deus, que coisa bela e bonita. Tanto carro junto assim como se estivéssemos em Nova Iorque!? E logo conduzidos por quem meu Deus? Logo por gente quase toda da minha raça ou pretos como nos chamavam pejorativamente então os brancos racistas!
Ahhhh meu Deus dos Céus. Isto era impossível no meu tempo como deve se lembrar primo! E olha para a beleza esbelta das crianças, meninas e mulheres …e todas elas bem vestidas e calçadas como nunca eram nessa altura! Ahhh, só agora percebo quando os negros dos EUA, que então lutavam contra o racismo proclamavam que “Black is Beautiful” ou seja Negro é Bonito.
O que mais o espantou, foi ver o quão a cidade de Maputo cresceu, à medida que ia contemplando os novos bairros residenciais que se estendem da UEM, passando pela zona do Mercado do Peixe até para além da Praia da Costa do Sol, todas elas novas e construídas nos últimos 20 ou 15 anos.
Ele não escondeu o seu espanto ao ver aquelas mansões nunca antes construídas em todos os mais 500 anos que durou a colonização portuguesa que o regime baptizava pomposamente de civilizadora.
Isto confirma o que lia de que Moçambique é um dos 10 países que mais crescem em todo o Mundo, e o que estará num nível de desenvolvimento igual ao de alguns países europeus nos próximos 20 anos, disse este meu primo que neste caso é um economista de mão cheia.

Gustavo Mavie

gustavomavie@gmail.com

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