Opinião

MAPUTANDO – A febre do encurtamento de rotas

Ao longo da semana passada, cheirou a crise no que diz respeito aos transportes semicolectivos de passageiros nas cidades de Maputo e Matola, devido à necessidade do agravamento da tarifa,

 no estrito objectivo de rentabilizar uma nobre actividade.

O que mais ressaltou nos dias anteriores foi o cenário do encurtamento de rotas, uma “febre” que toda a gente conhece e parece que não há medicamento que possa aliviar os sofredores da “doença”.

Tenho vindo a pensar, depois de ver uma declaração carregada de triunfalismo feita pela Polícia, segundo a qual não abrirá tréguas para os promotores daquela “febre”, é que a hipocrisia faz parte de muita gente até agora.

A sociedade sabe por demais como é que se opera o fenómeno do encurtamento de rotas, a Polícia, melhor do que ninguém, convive no dia-a-dia com essa realidade, apadrinhando-a inclusive, e agora vêm dizer que é possível estancar. Oxalá que estejamos enganados, que é tudo um “show off” folclórico, que só os hipócritas bem dominam.

Se a Polícia que está na estrada permite que os transportadores façam e desfaçam nas suas barbas, comendo e enchendo as barrigas a troco de fechar os olhos à indisciplina, que moral é que terá agora para estancar um acto que está, simplesmente, associado a um desregramento que virou cultura do dia-a-dia?

Mais do que tudo isso, será que essa Polícia que “come” na estrada, que os “chapeiros” chegam a gozar até, mudou de efectivo para agir de maneira diferente do que todos nós sabemos? Sabe-se lá, mas há qualquer coisa que não se compreende nesta matéria.

As pessoas que dependem do transporte semicolectivo de passageiros ficam indefesas perante os abusos dos operadores e sempre esperaram uma intervenção enérgica da Polícia, mas essa praticamente nunca existiu formalmente. O que será que há de novo para travar aqueles vândalos que trabalham nos “chapas”?

Dizer que vão lutar para travar é uma coisa, dizer que vão acabar é outra coisa. É que, senhores, convenhamos, encurtamento de rotas é algo que virou cultura, que tem um cadeia de “cabritos” a pastar. Quem será esse que está com vontade de inverter?

Tenho as minhas dúvidas, mas não vai continuar a Polícia a sair cá para fora e proferir declarações em relação àquilo que moralmente não é capaz, sendo certo que esta pode ser uma ocasião soberana para a corporação provar que o que era hoje já deixou de ser.

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