Opinião

Luabo libertado(concl.)

“Esta criança vai figurar, infelizmente, na lista das que morrem antes de chegarem aos 5 anos de idade”, pensei. Mais adiante, outras crianças pouco mais velhas, muito pequenas com barrigas inchadas, sinal de desnutrição, andavam na berma da estrada.

“Os bandidos abandonaram a zona depois de terem estado sob intenso fogo da nossa artilharia, durante pouco mais de 2 horas, mas levaram alguns trabalhadores e população, como escudo” – disse o jovem comandante Oliva, com a patente de Major, camuflado a cheirar a pólvora e a suor, barba farta e mal-arranjada.

“Quando fomos raptados senti a minha alma rasgar-se” – ouvi da senhora que comigo falava sobre a sensação que teve naquela madrugada quando foram raptados e continuou: “O meu marido estava na fábrica porque trabalhava por turnos. Quando começou o tiroteio fugiu e não conseguiu chegar onde estávamos. Fui levada eu e as minhas filhas, mais vizinhos e amigos.

Muitos populares. Não me recordo quantos éramos”. Disse-me que quer tirar essas más recordações da memória, mas não consegue. Acompanhada pelas filhas e netos, a expressão simpática da minha entrevistada não conseguia esconder as lágrimas nos olhos que viram tanto sofrimento e crueldade. Leia mais…

TEXTO DE ANTÓNIO BARROS

Artigos Relacionados

Veja Também
Fechar
Botão Voltar ao Topo