Opinião

Desenterrou primo para lhe roubar os bens

Diz não saber como tudo aconteceu. Apenas sabe que aconteceu e que agora está arrependido. Julga que foi atacado pelas forças do mal e que não conseguiu vencê-las. “Juro sinceramente palavra d’ora, eu fui amaldiçoado pelo mau-olhado. Pelo diabo” – diz ele a todos quantos lhe perguntam como aquilo foi possível. Ele que era tão amigo do Thendai. Ele que ia todos os dias ao hospital para lhe levar o lanche e as guloseimas de que o primo tanto gostava, de tão amigos que eram. “Aquilo que aconteceu só poderia ter acontecido se alguém fosse empurrado pelo diabo”, afirmavam familiares e amigos que não acreditavam no que ouviam falar.

O primo Thendai morreu no Hospital de Chimoio, mas foi sepultado no cemitério da localidade onde nasceu, no distrito de Gondola. Amigos de infância e vizinhos marcaram presença na cerimónia da partida de Thendai para aquela viagem sem regresso, embora soubessem que ele iria ficar em bom lugar, pois em vida não praticava pecado. Em surdina, os amigos e vizinhos falavam das qualidades daquele que era amigo dos seus amigos. Mesmo que não fossem amigos de peito, em caso de necessidade ele os ajudava, nem que fosse necessário tirar a camisa que usava para a dar a um necessitado.

Thendai foi a enterrar eram 15.00 horas. Um cerimonial condigno, à medida de um homem digno. Com direito a mensagens de todos os extractos sociais e políticos. Leia mais…

Por António Barros

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