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Nwamukhakha*

Por Carol Banze

Raquelina morava numa dependência na Rua Irmãos Roby, lá pelas bandas do Xipamanine. Natural de Gaza, sul de Moçambique, a jovem senhora de 32 anos fazia jus às suas origens. Ao caminhar, movimentava os seus glúteos firmes e avantajados, que ditavam o ritmo de cada passo. Atravessava a multidão sem dar confiança aos olhares masculinos dos mulatos mecânicos de rua, que a despiam e vestiam dez vezes antes de dobrar a esquina. Mas, a vida daquela machangana de Guijá estava longe de ser de rainha.

A tragédia residia precisamente no seu dedo podre. Dentro de casa, Raquelina comia o pão que o diabo amassou. Se para o mundo ela era uma deusa cá na terra, que se movimentava como uma banda de marrabenta espalhando o seu gingado pelas ruas e avenidas, entre as paredes do seu lar (onde se aconchegava com Papaíto, seu esposo marhonga, um eterno “Peter pan” e preguiçoso) a vida rolava envolta numa maré de frustrações. O dia-a-dia de Raquelina não tinha quase nada de bom.

Ela construía, porém o seu esposo consumia, comprando todo o tipo de bebidas alcoólicas de “má morte”. A mulher via-se diante do seu maior erro, e não demorou para que parasse na boca do povo, afinal, enquanto trabalhava num salão de cabeleireiro no bairro da Polana-Cimento “B”, na cidade de Maputo, para garantir o pão à mesa, o seu marido instalava-se numa mesa de bar, rodeado de tantos outros que, como ele, trocavam o suor do trabalho pelos goles ardentes do álcool.

Contudo, enquanto passava o tempo à frente do copo, o “Peter pan” enviava mensagens para a sua esposa, corroído por um ciúme inexplicável, medindo-lhe o tempo de saída da lida. Ao cair da tarde, a partir das 18 horas, o telemóvel de Raquelina não parava de vibrar com mensagens que exigiam a sua localização exacta. Leia mais…

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