Opinião

CONTRASENSO

Em mais um teste à capacidade de cedência até aqui demonstrada pelo governo, a Renamo veio com mais exigências, que são mais contrasensos para ganhar tempo na sua relutância em desarmar.

O que a Renamo pretendia era estabelecer um poder fora do quadro político constitucional. Um poder exercido à força pela coerção político militar a ordem existente até que as suas exigências de partilha do poder fossem atendidas. Dentro dessa perspectiva a democracia seria sempre um empecilho a abater.

No fundo para a Renamo a democracia não conta, enquanto esta tiver armas na mão que lhe permite ditar o timing político, mas Dlhakama e os seus homens estão enganados.

A democracia em Moçambique veio para ficar, e as eleições de Outubro serão realizadas independentemente de o líder da Renamo estar ausente.

Quanto à questão do diálogo sempre imaginei que o mesmo não iria dar frutos. Apenas pode haver diálogo sério com pessoas sérias e honestas, o que não é  o caso da Renamo, na senda de interesses inconfessáveis. Enquanto a Renamo existir com a actual direcção irá pertubar sempre que lhe convier  a marcha normal da democracia.

Depois de muitas concessões do governo para que a verdade e o consenso político prevalecessem eis que a Renamo abre o jogo.

Tratando-se de um partido com assento parlamentar, esta postura ultrapassa o entendimento daqueles que vêm a política como uma potencial ponte de consensos entre quadrantes divergentes. O que a Renamo pretendia era uma partilha de poder da qual não tem direito. Soa a uma “aberração”.

O governo tem de desarmar a Renamo, com inteligência sem pôr de parte a força do nosso estado de direito. O contra-senso nas opções da Renamo não pode durar sempre.

Quem estabelece a política de defesa e de segurança de Moçambique é o governo.

A exigência daquela força política na oposição em Moçambique que condiciona a sua desmilitarização à integração dos seus membros a cargos de dirigentes máximos no Exército e na Polícia moçambicana (PRM) é um contra-senso. “A Constituição da República (CR) e as demais legislações emanam que o estado ou administração pública organiza-se com regras não partidárias. A própria Renamo exige num dos pontos a despartidarização da função pública. A Renamo foi ao ponto de dizer que o comandante deve ser da Renamo, chefe de estado-maior das forças armadas, também da Renamo. Isso é uma aberração”,

O AGM foi em 1992  esta norma defendida pela Renamo para que se cumpra o desarmamento total dos seus homens, em pleno 2014 às portas das quintas eleições legislativas e presidenciais,   não faz sentido, sendo impensável que o governo ceda a este tipo de chantagens.

Uma vez mais a Renamo mostra o medo e pretende esquivar-se do escrutínio eleitoral, e ao pretender alterar as regras do jogo, demonstra que está sendo usada sagazmente por estrangeiros interessados em controlar os destinos de Moçambique.

Ou a Renamo se desarma e se integra como partido político ou cai do precipício…

 Moçambique Rumo ao Progresso

Inacio Natividade

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