Assim não vale, chefe Maca! Sempre que fosse necessário falar de Benjamim Faduco, fazíamo-lo juntos. Assim como quando fosse para tratarmos de Bernardo Mavanga. Era a maneira que tínhamos encontrado para homenagearmos à revelia, esses dois homens da pena, que foram nossos mestres.
Não sei como, mas nos encontramos no mesmo caminho de reconhecimento a estes dois. Não que não haja quem mais (já individualmente) admiramos, mas, individualmente mesmo. Cada um, conforme os carreiros que usou.
Desta vez Alfredo Macaringue (o chefe Maca) sozinho, quis falar de Benjamim Faduco. Que egoísmo! Fê-lo no “Noticias”, edição da última sexta-feira. Mas vou a tempo, pois hoje faz uma semana que o nosso mestre fez os70 anos de idade.
Porque Benjamim Faduco é o homem que me conheceu antes de me ver. Apenas pelos artigos que um candidato a jornalista publicava no jornal de que era director. Com a sua voz de chefe inconfundível quis falar comigo ao telefone em Março de 1991, depois que lhe chegaram alguns textos da minha lavra, que tratavam de assuntos em zonas de conflito armado.
De seguida, em 1992, o “notícias”, publica na página 3 da quarta-feira, então dedicada ao “Nampula em foco” uma grande reportagem a falar de corrupção nas Forças Armadas de Moçambique, envolvendo nomes verdadeiros, altas patentes aos ombros de quem ainda está em vida.
Faduco, quase a fechar o jornal, recebe o telex vindo de Nampula, abordando o assunto, que de tao delicado, lê-o ao telefone, querendo saber se todos os factos ali constantes, eram verídicos, incluindo as fontes, os nomes e se era verdade que eu tinha falado com os acusados (contendores) ali arrolados. Depois que lhe garanti, a peça estava publicada no dia seguinte, na supracitada página. Escandaloso!
O denunciante, um Procurador Militar, que de propósito não o nomeio, é chamado dia seguinte a Maputo e quando quis dar uma conferência de imprensa na sede do Organização Nacional dos Jornalistas é detido (imagine-se, pela Polícia Militar) enquanto fazia a nota introdutória. Foi levado ao Estado-Maior General, acompanhado pelos jornalistas, até desaparecer de vista…
Faduco, meses depois, viaja para Nampula e irrompe pela Redacção para dizer: não vim para nada, senão para conhecer este jovem e peço que seja dispensado durante estes três dias em que estarei nesta cidade.
Foi dizer o mesmo à minha família, na Rua de Inhambane, onde eu morava, porque me queria transmitir algumas ideias importantes da profissão. Uma delas foi levar-me à casa do grande suspeito na peça jornalística publicada. Um Capitão das Forças Armadas, que era Juiz do Tribunal Militar. Afinal, era seu sobrinho!
Tremi, mas o director disse: mesmo assim, o seu artigo satisfazia todos elementos duma grande reportagem; foi profissional e eu não tinha como não publicar.
No último dia, depois de me falar dos seus títulos na cobertura da guerra em Angola, sobretudo em Cahama, disse: Pedro, vais dar um bom repórter, principalmente um bom colunista! O avião voou, levando dentro de si o meu director! Pelos 70, parabéns!
Pedro Nacuo

