“Ó SENHOR, até quando os ímpios saltarão de prazer?” – Salmos 94:3
Para além do falecimento da minha sogra só em si ter abalado profundamente a estrutura da nossa família, como é óbvio nessas circunstâncias em qualquer parentela, os penosos acontecimentos que se deram antes e durante a cerimónia das exéquias fúnebres, provocados pela seita “Velhos Apóstolos”, de Inharrime, da qual era adepta desde uns tempos a esta parte, adensaram cada vez mais o já tenebroso e lúgubre ambiente da nossa tristeza e profunda mágoa. Os factos: juntos já no local, aconteceu uma reunião familiar restrita às filhas, aos genros, aos netos, aos sobrinhos e a outras pessoas muito próximas da finada, encontro que visava a preparação condigna da cerimónia fúnebre (elaboração de mensagens, escolha da roupa e indicação de pessoas adultas para lavar e vestir a finada, entre outros detalhes), decidiu-se pela hora e data ideal do enterro, tendo-se escolhido o domingo às 14:00, tendo em conta três justos motivos: as altas temperaturas que se faziam sentir naqueles dias e não haver condições de frio localmente; a inexistência de condições logísticas para albergar muitas pessoas durante mais de dois dias (mais de meia centena só de família directa); e o facto de muitos terem saído de longe (Zambézia, Maputo, Xai-Xai, Massinga e África do Sul) e ter de regressarem para a sua procedência antes da segunda-feira. A presença de dois “discípulos”, de seus nomes Raul e Massicame, respectivamente, mandatados por um tal importante “Apóstolo”, cujo nome não foi revelado, alegando que na ausência do tal a cerimónia fúnebre não podia ter lugar, isso, transtornou profunda e negativamente o já tenebroso ambiente, criando um mal-estar generalizado a todos os presentes. Os motivos acima mencionados, que ditavam a inadiabilidade da cerimónia no domingo, além de nada ter servido para os dois mandatários, foram rebatidos com um violento argumento de que: “Se o Senhor Kandiyane insistir na realização do funeral amanhã, domingo, na ausência do nosso Grande Apóstolo, o senhor é quem vai presidir a mesma, vão ver! Quem avisa amigo é”, (sentenciaram os arautos do mal). Evitarei entrar em detalhes nesta passagem por o ter feito no último “DOMINGO”. Por coincidência ou não, mas as inexplicáveis profecias ameaças surtiram de imediato um efeito negativo.Logo após o fim daquela macabra cerimónia, uma das primas directas da finada desmaiou e, levada de emergência ao Hospital de Zavala, dois dias depois foitransferida para o ICOR (Instituto do Coração) em Maputo, onde foi-lhe diagnosticado um Acidente Vascular Cerebral, (AVC), isquémico, que, segundo a explicação médica, trata-se da falta de sangue numa região do cérebro. Ninguém entendeu a legitimidade das ameaças proferidas pelos dois emissários, tendo em conta que, durante os quatro anos que a falecida se encontrava doente, nenhum membro da seita a visitou.Sobre a “Assombrosa” presença inesperada em massa, justamente na hora por eles recusada e a realização na sepultura dum ritual de triplo propósito: –uma “Missa Negra”, isto é, uso de forças sobrenaturais para propósitos maléficos; –demonstração da superioridade numérica da seita em oposição aos familiares da finada; – um “pontapé” e uma blasfémia aos usos e costumes que a família pretendia prestar à finada, concluímos tratar-se de uma seita Satânica. Soube-se que em todas as cerimónias fúnebres onde a seita dirige, houve sempre confusão entre esta e os familiares do(a)defunto(a). Concluo rogando ao “Deus a quem a Vingança pertence”, (Salmos 94:1), para chamar rapidamente para junto de SI aqueles Apóstolos que afirmaram ser pertença deles o corpo da minha sogra, de modo a juntos permanecerem na graça do SENHOR para sempre. AMÉM!

