TEXTO DE GINOCA MAFUTINE
O abandono de idosos é uma ferida profunda que atravessa a sociedade, muitas vezes invisível aos olhos de quem não a vive, mas dolorosa e constante para aqueles que a sentem. Não se trata apenas da falta de cuidados materiais, alimento, abrigo, remédios, mas de um abandono que corrói a alma, que isola, que invisibiliza.
Muitos daqueles que deram tanto à família e à comunidade, que criaram filhos, construíram casas, trabalharam para garantir o sustento de outros são, agora, relegados a uma margem que a sociedade insiste em negar. Mas há algo ainda mais cruel que a solidão: há o desprezo, a marginalização e, em alguns casos, a violência directa, fruto do medo, da ignorância e das crenças enraizadas.
No nosso dia-a-dia, encontramos idosos que são vistos como feiticeiros, pessoas capazes apenas do mal, seres que devem ser afastados ou vigiados com desconfiança. Mulheres que deveriam ser protegidas encontram-se vulneráveis e violentadas, sem ter para onde recorrer, sem ter voz, sem ter amparo. Outros são empurrados para a marginalidade, tratados como fardos, como seres sem valor, como memórias inúteis que a sociedade prefere ignorar. É terrível perceber que esses casos não são excepções, são realidades quotidianas.
O idoso é deixado sozinho, à mercê de um mundo que já não lhe reconhece o direito à existência plena. A sua história é apagada, a sua experiência desprezada, e a sua dignidade, negada. Quem antes sustentou gerações, que educou filhos e ajudou a manter famílias, passa a ser visto com desconfiança, suspeita e medo. Leia mais…

