Opinião

A PROPÓSITO DA PROCURA DO AUTOR D’A “PATRIA AMADA”

“…Dai, pois, de César o que é de César…” Mt 22:21

 

Hoje seremos curtos e grossos. É que, suspeito de inconstitucionalidade, chegou-nos aos Ouvidos sensíveis do nosso Coração,que está neste momento em debate, discussão ou pesquisa, da autoria, invenção ou produção do nosso mui amado, respeitado e orgulhosamente cantado por todos nós, Hino Nacional: a “Pátria Amada”. Escusado será reforçar que se é verdade que ainda não se conhece o seu autor ou autores, torna-se mister, legítimo e necessário que se ache, se conheça e se descubra o pai, progenitor ou procriador de um dos nobres, distintos e honrosos símbolos ou distintivos do nosso orgulho, da nossa moçambicanidade, porque não dizer da nossa Mãe Pátria. Aliás costuma-se dizer que “o seu a seu dono”. Porque é imperioso reconhecer que a arte de criar ou recriar textos, compor e estudar escritos literários não é pêra doce. Que o digam os poetas e prosadores, ainda que por muito que se possa afirmar que poeta e prosador podem ser a mesma coisa, pois, na realidade pode-seafirmar que todo prosador é um poeta em potencial e vice-versa.O fundamental é que se tenha alma de escritor. Poesias sempre dão um enlevo maior. Puxam mais para o romantismo. São de leitura decisiva, deslindada e incontrovertível. Falam de amores, de desejos. Também contam histórias breves, com um certo ritmo. São “mini prosas”. Ao passo que, Prosassão crónicas. São histórias. São estórias. São temas mais desenvolvidos. Falam de amores, de desejossim, mas são “maxi poesias”.Daqui a pertinência da existência dos direitos do autor que protegem oautor decriações literáriasque podem ser do domínioexclusivamenteliterário, mas também podem ser do domínio científico ou artístico, por qualquer modo exteriorizada. Portanto, visa proteger obras.Mas não é de géneros ou estilos literários que queremos comentar, porque issoimplicaria a identificação, e o reconhecimento de obras ou textos,trechos, além de exigir de nósa capacidade de interpretar a função daquele ou daqueles textos. Não é disso que queremos falar. Muito menos pôr em causa o conteúdo ou a melodia da nossa querida “Pátria Amada”. Então do que queremos falar!? Olalá! Parece que nos perdemos pelo caminho! Ah, já estamos lembrados! Seria para comentarmos do que se diz àcerca da procura da localização do legitimo criador dessa nossa Obra-prima: a “Pátria Amada”. Sejam lá quem eles ou ele for, e pese todo o mérito pelo meritório trabalho patriótico, ainda assim, não deixa de ser interessante um não-indiferente resíduo de uma espécie de intertextualidade ou Interdiscursividade (não plágio) do Titulo (somente do titulo), do nosso Hino com um dos trechos da obra do reconhecido escritor português: Luís Vaz de Camões. Até porque ,nem a intertextualidade, nem interdiscursividadesão uma  paródia. Paródiaseria o plágio, porque o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma.Repetimos, sempre que entoamos a nossa “Pátria Amada”, fazemo-lo com convicção patriótica. Ainda assim, e sobretudo agora que se discute a autoria da mesma, o eflúvio Camoniano não nos abandona, daqui havermos por bem que depois que encontrado ou achados, se ainda em vida, explicar-se, se não teriam expugnado o título do nosso Hino Nacional, (só o Título repetimos), a uma estrofe da “Bíblia” Portuguesa: “Os Lusíadas”. É que a dado passo, segundo Camões,(Canto III estânc.17,20,21), Vasco da Gama termina a descrição da geografia europeia ao rei de Melinde: “Eis aqui (…) o Reino Lusitano, onde a terra se acaba e o Mar começa; Esta é a ditosa pátria minha amada…”.O sublinhado é nosso. E então!? Seria um grande alívio a explicação. Porque desconfortante e angustiante é na verdade vivermos perseguidos pela dúvida obsessionante de que afinal o nosso Hino não é da autoria de nenhum Moçambicano e por isso, um dia qualquer possamos ser surpreendidos por um terrível “fantasma de Camões” a reivindicar e anunciando-se autor pelo menos do Titulo da nossa querida “Pátria Amada”. Como diz um antigo provérbio “Que o diabo seja cego, surdo e mudo”

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