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Vale do Infulene beneficia de alargamento

Texto de Abibo Selemane e Fotos de Carlos Uqueio

O Governo da Província de Maputo está a levar a cabo as obras de construção e limpeza (desassoreamento) da vala do Infulene, também conhecido por Mulauze. No total são 14 quilómetros de extensão a partir da zona da Portagem de Maputo até às proximidades do bairro de Intaka, Município da Matola.

As obras que poderão terminar em Novembro próximo estão orçadas em cerca de 40 milhões de meticais e estão enquadradas nas estratégias do Governo com vista garantir a segurança alimentar nas famílias da província e cidade de Maputo. A outra medida adicional em curso é a construção de regadios para alimentar as machambas, bem como a limpeza das valas de drenagem adjacentes a vala principal.

Os referidos trabalhos consistem na montagem de novas comportas, limpeza do assoreamento das três valas, tanto a principal assim como as secundárias. A comporta que foi montada na zona da portagem vai servir para gerir água tanto do mar assim como rio Mulauze.

Até ao momento foram trabalhados 9 quilómetros da vala, que compreende a zona da Portagem até à fábrica de Cerveja 2M. Neste momento, está em curso a limpeza dos restantes 5 quilómetros que partem da 2M até Intaka.

Estes trabalhos poderão terminar no próximo mês de Novembro, mas dependendo do comportamento das chuvas, bem como da colaboração dos próprios agricultores.

A medida está a alegrar tanto as autoridades governamentais da província, assim como os camponeses, uma vez que a partir deste ano as águas do rio, assim como das chuvas vão ter um caminho a seguir até ao mar. Em compensação disso, haverá o alargamento do espaço de produção de hortícolas.

Falando ainda sobre o alargamento da área de cultivo, a directora Provincial da Agricultura, Leonor Neves, disse a Reportagem do domingo que, depois das obras, passará de 100 para 300 hectares a área de produção a ser usada por todo o ano.

Em relação às novas medidas, Leonor Neves explicou que há perspectiva de se fazer limpeza pelo menos uma vez por ano, de forma a manter o actual nível de escoamento das águas do vale.

“O grande desafio é garantir que as pessoas que vivem a sua volta não deitem lixo. Alguns usavam a vala para depositar resíduos sólidos e outros abriam as tampas taludes para tirar areia para construção. Se esse comportamento se mantiver muitas residências seriam destruídas porque estavam a roer a terra por baixo”, alertou.

De referir que na vala de Infulene produz-se hortícolas que são comercializadas nos mercados das cidades de Maputo e Matola.   

AGRICULTORES MAIS ANIMADOS

Os agricultores que trabalham a terra na vala de Infulene para a produção de comida disseram a nossa equipa de Reportagem que os trabalhos de limpeza ora em curso vão possibilitar o aumento de produção e campos de cultivo.

Os nossos entrevistados lembram que no passado em cada época chuvosa muitas culturas eram arrasadas pelas águas da chuva.

Aliás, no local ficamos a saber que existe uma parte daqueles campos que há muito que não estão a ser exploradas por estarem inundadas.

Silvestre Celestino Wele, um dos produtores de alface e couve no Infulene, disse que a medida chegou numa boa altura, visto que brevemente irá entrar o ciclo chuvoso, sendo que as suas culturas serão protegidas.

“No passado sofríamos muito. Era normal preparar o campo de manhã para a tarde ou no dia seguinte ver tudo arrasado. Acredito que com esta obra as nossas culturas estarão protegidas. A preocupação agora está com as águas que vem da cidade de Maputo, aquelas que seguem Avenida Joaquim Chissano, essa tem sido outro quebra-cabeças”,disse Wele.

Acrescentou que equaciona nos próximos tempos aumentar a sua área de produção uma vez que o espaço que era ocupado pelas águas estará livre delas.

“Uma parte da minha machamba sempre que chove é invadida pelas águas, mas agora isso vai ficar para história, o que vai me permitir aumentar a área de produção”,referiu.

Por seu turno, Roberto Manjate, outro agricultor disse que a limpeza é bem-vinda para o grupo porque há muito que as valas estavam soterradas.

“Sabemos que o trabalho está a estragar as nossas culturas mas também acreditamos que brevemente seremos recompensados com a melhoria de produção. Pensamos que, terminado o trabalho, a colheita poderá rondar a 100 por cento”,considerou Roberto Manjate.

Por sua vez, Maria Pedro Mutote, outra produtora da vala de Infulene disse a nossa Reportagem que está feliz com o decurso dos trabalhos da reabilitação da vala.

Maria Mutote guarda más lembranças do passado.

A minha machamba está nas bermas da vala. Sempre que chovesse as águas espalhavam-se por aqui e levavam tudo. Acho que com a reabilitação não terei mais esses problemas. Já estou a pensar em aumentar a minha área de produção”, referiu.

Por seu turno, Laura Langa reforçou que o processo de reabilitação está a agradar a comunidade camponesa que desenvolve a sua actividade naquelas bandas.

“No passado, chegávamos a fazer limpeza para libertar as nossas machambas das águas. Agora não vamos precisar mais dessa ginástica. O exercício será de procurar mais sementes, mudas e fertilizantes, para além de aumentar os campos de cultivos”,disse. 

 

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