TEXTO DE GENÉZIA GERMANO
Numa cidade onde as garrafas plásticas muitas vezes terminam nas ruas ou nos cursos de água, Teresa Chirrime decidiu transformá-las em algo útil e saudável. Aos 30 anos, natural da província de Gaza e formada em Técnica Agrária, encontrou no artesanato uma forma de dar nova vida a materiais descartados e, ao mesmo tempo, transmitir uma mensagem de preservação ambiental.
A ligação com o artesanato começou muito antes, ainda na infância, quando frequentava o ensino primário. “Lembro-me que o professor pediu que cada aluno trouxesse uma peça feita por si. Eu tinha um pedaço de capulana, cortei e fiz uma boneca. Não era perfeita, mas foi a primeira coisa que fiz com as minhas próprias mãos”, recorda. A boneca marcou-a profundamente. Apesar de simples, despertou um interesse que permaneceria guardado durante anos.
Crescida numa zona rural, com longas caminhadas para a escola e tarefas domésticas diárias, não teve tempo para desenvolver aquele talento.
Ainda assim, a criatividade manifestava-se em pequenos gestos. Teresa lembra que costumava fazer roupas para as bonecas das irmãs mais novas. “Quando alguém tem um talento ainda criança e não tem oportunidade de o desenvolver, facilmente pode esquecer, mas não morre, porque fica dentro de nós”, afirma.
AMIGA DO AMBIENTE
O reencontro com o artesanato aconteceu anos mais tarde, já em Maputo, durante o período da pandemia da Covid-19. O tempo livre e a vontade de manter as mãos ocupadas trouxeram de volta a antiga paixão.
Começou pelo croché, uma técnica que sempre admirou. Sem formação formal, aprendeu sozinha, experimentando diferentes materiais. Primeiro, produziu pequenos tapetes, mas rapidamente procurou novas ideia. Leia mais…


