O Grupo SOICO manifestou a sua mais profunda indignação e veemente repúdio pelo atentado criminoso de que foi vítima o jornalista Carlitos Cadangue, correspondente da STV na província de Manica, ocorrido ao princípio da noite de ontem, a escassos metros da sua residência e na presença do seu filho menor.
Um comunicado da instituição indica que a viatura do jornalista foi alvo de vários disparos de arma de fogo por indivíduos encapuzados, que aparentavam trajar indumentária semelhante à de forças de segurança. Embora o jornalista e o seu filho tenham escapado ilesos do ponto de vista físico, o acto constitui uma grave ameaça à vida, à integridade psicológica da família e, sobretudo, um ataque directo à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático consagrados na Constituição da República de Moçambique.
Este atentado, segundo a SOICO, ocorre num contexto em que o jornalista vinha desenvolvendo, no exercício legítimo da sua função profissional, reportagens de investigação sobre práticas ilícitas no sector mineiro na província de Manica e os seus impactos sociais, económicos e ambientais, matérias de elevado interesse público que contribuíram para o debate nacional e para a adopção de medidas por parte das autoridades competentes.
“O jornalista havia, no passado recente, reportado ter recebido alertas e ameaças em função do seu trabalho, o que agrava a gravidade do sucedido e impõe uma resposta institucional firme”, lê-se na nota de imprensa.
O Grupo SOICO considera este acto como uma tentativa clara de intimidar a comunicação social, silenciar o jornalismo de investigação e instaurar um clima de medo entre profissionais que cumprem a sua missão pública. Ataques desta natureza não visam apenas um profissional em concreto, mas procuram fragilizar o próprio espaço democrático, o
escrutínio público e a transparência na gestão da coisa pública.
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