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Sinaleiro procura-se…

Já foi marca registada da cidade de Maputo a presença de sinaleiros de trânsito. Bem trajados, luvas brancas, em cima duma peanha nos principais cruzamentos orientando o trânsito com perícia e um misto de graciosidade.

Isto foi nos tempos em que o congestionamento estava bem localizado e em horas específicas. Acontece que hoje em dia, quando tudo indica que eles são mais indispensáveis do que nunca, pura e simplesmente desapareceram.

O domingo foi ao terreno para perceber o que aconteceu e por quê abandonaram os estrados. Ao que apuramos, o aumento do parque automóvel e o mau comportamento de alguns automobilistas são, entre vários, alguns factores que determinaram o abandono do tradicional modelo de sinaleiro.

É que há registo de polícias sinaleiros que foram derrubados dos estrados em pleno exercício por automobilistas que não obedecem às regras de trânsito ou outras indicações de cumprimento obrigatório.

Outro pormenor é que os semáforos, actualmente, são geridos única e exclusivamente pelos conselhos municipais não havendo, por isso, espaço para os polícias de trânsito interferirem no seu funcionamento em função do volume de tráfego automóvel.

No passado, os sinaleiros tinham permissão para ligar ou desligar os semáforos sempre que fosse necessário. O Conselho Municipal era responsável pela manutenção dos mesmos. A situação mudou radicalmente. Hoje, o cenário é outro; as chaves ficam com uma equipa do Conselho Municipal.

Estas medidas condicionam o trabalho dos polícias de trânsito que são obrigados a orientar o tráfego com os semáforos a funcionarem normalmente. Os automobilistas têm então o policial e o semáforo a darem orientações.

A solução adoptada, em períodos de pico, é a de colocar 2 ou 4 agentes para orientarem os automobilistas nos principais entroncamentos da cidade para evitar os já crónicos congestionamentos.

OS SINALEIROS

Os Agentes Sinalizadores são elementos da Polícia de Trânsito cuja função é regular o tráfego na via pública, sobretudo nos cruzamentos das ruas ou avenidas. Normalmente ficam em cima duma peanha que é colocada no centro do cruzamento das ruas.

No passado, um sinaleiro a desenvolver o seu trabalho até animava os peões por causa dos movimentos graciosos e elegantes, intercalados pelo apito, que fazia. Não raras vezes juntavam-se verdadeiras molduras humanas para apreciarem o espectáculo. Havia arte e beleza naquele trabalho realizado nas horas de ponta, nomeadamente das 12:00 às 14:00 e das 17:00 às 18:00 horas. 

Era assim até meados de 2006…

AINDA FAZEM FALTA

Nos últimos tempos, é facto, conduzir na cidade de Maputo virou um desafio. Mesmo com os semáforos a funcionarem plenamente é preciso muita paciência. Os congestionamentos verificam-se todas horas, de manhã, a tarde e mesmo a noite.

Os condutores ficam mais embaraçados quando de repente aparece uma ambulância ou carro do corpo dos bombeiros a solicitarem passagem.

Entende-se que os semáforos não estão a ajudar no processo de escoamento do tráfego, porque é um equipamento automático e foi programado para abrir e fechar por tempo determinado independentemente do volume de tráfego.

A vantagem dos sinaleiros é que estes têm capacidade para avaliar e decidir qual é a melhor forma de aliviar o engarrafamento… o problema é quando alguns automobilistas revelam-se incapazes de interpretar os sinais dados pelo agente; parecem guiar-se unicamente pelo que fazem os outros condutores criando outros tantos dissabores!

Peanhas roubadas

Não se sabe para quê, nem para onde, mas os estrados (peanhas) que eram usados pelos agentes para dirigir o tráfego, estão a sumir dos locais de depósito. A cidade de Maputo tinha 12 peanhas. Agora só tem 6.

Este facto preocupa a corporação visto que nos dias em que são chamados a intervir enfrentam várias dificuldades exactamente porque não têm meios.

Conforme explicou o Chefe do Departamento de Trânsito na Cidade de Maputo, João Matsinhe, as peanhas são feitas de um misto de madeira, chapa e ferro, elementos que podem estar a atrair as atenções de gente de má conduta.

Ainda se desconhece o seu destino mas presume-se que estejam a ser vendidos nas sucatas, para aproveitamento dos componentes metálicos ou outros fins.

Abibo Selemane

habsulei@gmail.com

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