Nacional

Rafael Maguni reconhecido pela RM

A Rádio Moçambique (RM) organizou, há dias,  no Estúdio Auditório, uma homenagem a Rafael Maguni, primeiro Director-Geral daquela instituição. Na ocasião foi apresentada uma exposição de fotografias de Rafael Maguni.  E durante a cerimónia foram  feitos diversos depoimentos referentes as vivências de Maguni, como pai, colega, dirigente e amigo.

Diversas personalidades fizeram-se ao Estúdio Auditório da RM para prestar homenagem àquele que é considerado um dos construtores da Rádio, após a Independência Nacional.   Em colóquio, foram dados a conhecer os vários momentos da vida de Rafael Maguni. Todos os palestrantes foram unânimes ao afirmar que Maguni era um homem muito focado no que fazia e que não se permitia falhar no que fizesse.

Faruco Sadique, PCA da RM, disse que aquela iniciativa estava enquadrada nas festividades do quadragésimo aniversário da instituição que dirige e que “é também uma forma de recordarmos aquele que afinal construiu os alicerces da Rádio que temos hoje”.

Por seu turno, a família do homenageado manifestou muita alegria pelo reconhecimento da rádio. A filha disse que era  gratificante ver que as pessoas recordam-se de Rafael Maguni e dos seus feitos. “Fico satisfeita em ver que meu pai foi um homem importante, amigo de muitos, que contribuiu bastante para o país e que foi também pai de muitos”.

Rafael Maguni foi membro da Comissão Política da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e ex-Ministro da Informação.

Faleceu em Fevereiro de 2004 na sequência de um acidente de viação. Nascido a 4 de Dezembro de 1949 na província do Cabo Delgado, Maguni aderiu à FRELIMO em 1964 quando tinha menos de 15 anos. Formou-se nas escolas da FRELIMO na Tanzânia e trabalhou como jornalista numa rádio desta formação política que emitia a partir de Dar Es Salaam, a capital tanzaniana.
Após a independência do país em 1975, foi nomeado primeiro director da Rádio Moçambique e fazia parte da delegação moçambicana enviada para Londres (Grã-Bretanha) pelo Presidente Samora Machel para assistir às negociações em Lancaster House sobre a independência do Zimbabwe e foi o primeiro embaixador moçambicano em Harare, capital zimbabweana.
Como  político ocupou igualmente as funções de Governador da província central de Manica antes de ser nomeado ministro da Informação de 1990 a 1994.

Rafael Maguni foi cronista no semanário domingo. Assinava com o pseudónimo Vandole Ukaloyi.

Durante as eleições multipartidárias realizadas no mesmo ano, foi eleito deputado da bancada da FRELIMO no parlamento e reeleito em 1999.

Maguni foi secretário-geral da Associação dos ex-combatentes da luta nacional de libertação, membro do comité político da FRELIMO e director-adjunto do Escritório Central do partido para as eleições.

SOUBE AGLUTINAR TODOS

– Felisberto Massimbe , Jornalista

Depois do colonialismo havia um estigma da cor da pele. Eram os negros que tinham medo dos brancos e os brancos dos negros, mas Rafael Maguni soube aglutinar a todos. Alguns técnicos não ficaram na rádio porque não quiseram, afirma Felisberto Massimbe.

Mais adiante acresceu que quando entraram para redacção os primeiros negros foi uma situação dramática, mas ele conseguiu lhe dar com isso e chefiou bem. Ele assumia o comando central e transformava-o como seu próprio comando.

CRIOU A ORQUESTRA DA RM

– Zeca Tcheco, Músico

Segundo Zeca Tcheco, Maguni foi quem teve a ideia de criar a orquestra da Rádio Moçambique, porque acreditava que havia necessidade de transmitir-se a cultura moçambicana a toda sociedade. “Ele é que mandatou uma equipa para chamar-nos para a RM e para que pudéssemos ter uma conversa com ele. Disse-nos que pretendia que se formasse uma orquestra da RM. Que tínhamos de fazer música moçambicana e alimentar as nossas emissoras com a nossa música. Dali mostrou-nos o local onde iríamos ensaiar e assim surgiu esse grupo.

SABIA DAR ÂNIMO

– Carlos Jorge, Antigo Combatente

Carlos Jorge afirma que conviveu com Rafael Maguni muito jovem e que ele era uma pessoa “que tinha visão de preservar o património cultural. Depois da independência nacional trabalhamos juntos na criação do sector da cultura e informação da SADC, já que Moçambique tinha sido eleito para criar esse sector. Maguni foi uma peça chave na criação da mesma. Ele cativava as pessoas a fazerem as coisas e sabia lhes dar ânimo.

ERA UM TRANSVERSAL

– Hélder Muteia, Escritor

“Rafael Maguni tem uma grande influência na vida, na minha forma de ser, no meu exercício cultural como escritor. Tive o privilégio de estar com ele em muitos contextos”, afirma Hélder Muteia.

Para si, Maguni era uma transversal que sabia lhe dar com todo tipo de pessoase com a ideia de que a vida não poderia ser em vão. “Ele sabia transmitir a mensagem sobre a importância da convivência sã. Tinha o dom natural da comunicação e uma boa capacidade de liderança. Discutia temas diversos sendo que sempre tinha ideias fascinantes”.

 

 

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