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Prevalece agitação no troço Nampula-Cuamba

Prevalecem laivos de descontentamento no seio de alguns utentes do comboio que garante a ligação entre as províncias de Nampula e Niassa (da Estacão da cidade de Nampula até à da Vila de Cuamba), na sequência da medida tomada, há algum tempo, pelo consórcio Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), que implicou a supressão de pelo menos 12 apeadeiros, onde no passado aquele meio ferroviário efectuava paragens para embarque e desembarque de passageiros, bem como de mercadoria diversa.

Aliás, alguns populares colocaram directamente esta preocupação ao Presidente da Republica, Armando Guebuza, na sua recente visita à província de Nampula, durante um comício que orientou na Vila sede do distrito de Ribaué.

Falando a jornalistas que acompanhavam a sua visita, o PR tratou de dissipar alguns equívocos e explicou que existe um acordo com investidores neste ramo e que a enfâse, neste momento, é ter a linha férrea reabilitada e com maior capacidade embora alguns problemas da sua utilização neste momento não possam ser completamente resolvidos “porque podem dificultar o processo em curso em termos reais e físicos mas são aspectos que continuarão a merecer a nossa atenção para vermos como é que se podem resolver”.

No entanto, o PR lançou um repto a Direção, gestores da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique e outros actores relevantes para continuarem a trabalhar no sentido de “explicarem aos utentes do comboio que liga Nampula a Cuamba que se encontram ao longo da Linha e não só as razoes que ditaram que aquele meio ferroviário tenha deixado de parar em alguns apeadeiros”.

DÉFICE DE INFORMAÇÃO GERA CONFUSÃO 

Um dos pontos onde mais se evidencia a polémica é a zona de Ribaué, na província de Nampula, onde alguns utentes deste comboio queixaram-se recentemente a nossa Reportagem de não terem sido devidamente informados sobre as reais razoes que ditaram a “ eliminação de algumas paragens que tradicionalmente foram sempre respeitadas pelos maquinistas dos comboios”.

Segundo contaram algumas pessoas entrevistadas em alguns dos três apeadeiros ora eliminados, no distrito de Ribaué, (Outeiro, Riaué e Poiane), de um momento para outro, começaram a notar que o comboio deixou de parar nos pontos habituais sem que “tivéssemos recebido qualquer informação prévia”.

De entre os nossos entrevistados, alguns mostraram-se indiferentes com a medida tomada pelo CDN e outros falam de ter havido défice de informação neste processo, razão pela qual surgiu esta celeuma toda que está praticamente a colocar alguns utentes indignados com aquela concessionária. Outros beneficiários daquele meio ferroviário consideram-se prejudicados nos seus negócios, pois naquelas paragens ora suprimidas eles efectuavam trocas comerciais difíceis de manter devido a dificuldades que actualmente enfrentam para transportar mercadorias das suas comunidades para novas paragens de comboio.

“Eu notei que o comboio deixou de parar aqui nesta zona (Riaué), umas semanas depois de se eliminar a paragem. Não tenho conhecimento de ter havido algum encontro com a população. Daqui onde me encontro para o próximo ponto onde pára o comboio são cerca de oito quilómetros e não é fácil fazer esse percurso a pé e com mercadorias. Numa das vezes que falei com alguém aparentemente ligado à empresa que gere o comboio informou-me que doravante o mesmo só teria como paragens os locais onde haja agulha e fora disso só nas estações”, disseEvaristo Jaime. Ele é apenas um dos vários cidadãos descontentes com a situação. domingo entrevistou-o no limite entre Namigonha e Ratane, este último um dos apeadeiros eliminados.

Ao que tudo indica, o alegado défice de informação fez surgir incompreensões e interpretações dúbias relativamente à medida adoptada pelo CDN o que desembocou, naturalmente, na criação de várias versões sobre o mesmo assunto, onde os rumores e especulações vão ganhando corpo e ao sabor da imaginação fértil de cada um. Há quem já fale de aproveitamento político da situação, uma vez que se está em ano eleitoral e politicamente decisivo.

O troço ferroviário ligando a cidade de Nampula e a vila de Cuamba é de 341 quilómetros e no seu percurso os produtores encontram uma oportunidade para comercialização dos seus excedentes agrícolas e outros produtos. Com a eliminação dos 12 apeadeiros, o tempo de viagem de um ponto para outro reduziu de 10 para aproximadamente 8 horas.

Houve diálogo com as comunidades

– Sérgio Phaunde, porta-voz da CDN

domingocontactou o porta-voz da CDN , Sérgio Phaunde, que tratou de explicar que esta empresa não só reuniu com as comunidades dos locais abrangidos pela medida, como também tratou de efectuar consultas  e acções de sensibilização aos administradores distritais, chefes dos postos administrativos e de localidades, líderes comunitários dos distritos de Nampula, Rapale, Ribaue, Malema e Cuamba e foi estabelecido um plano conjunto para ser executado.

Foi durante essas discussões, segundo acrescenta Phaunde, que as autoridades distritais solicitaram a manutenção de 6 dos 18 apeadeiros planeados para o encerramento, por estes se localizarem em sedes dos distritos e localidades, e por serem pontos importantes para o escoamento de produtos agrícolas, nomeadamente, Rapale, Rente, Pecuária, Riane, Nacata 2 e Lúrio 2.

“Foi assim avançado o plano de encerramento de 12 apeadeiros. Na sua primeira fase, no dia 8 de Janeiro de 2014, foram encerrados quatro apeadeiros, nomeadamente, Ratane, no distrito de Nampula; Tamele, no distrito de Rapale; Nacata 2 e Lúrio 1, no distrito de Malema. De notar que depois do encerramento destes quatro apeadeiros, não houve reacção negativa por parte da população. Na segunda fase, no dia 11 de Fevereiro de 2014, foram encerrados os restantes oito apeadeiros, nomeadamente, Muterrua e Miolene, no Distrito de Rapale; Murrula, Outeiro, Riaue e Poiane, no Distrito de Ribaué; Tui, no Distrito de Malema; e Morusso, no Distrito de Cuamba”, esclareceu o nosso interlocutor.

No entanto, conforme acrescentou Sérgio Phaunde, desde a circulação das carruagens antigas e com a introdução das novas carruagens recebidas no mês de Julho de 2013, e colocadas em circulação no mês de Agosto, foram registados actos de vandalismo praticados por indivíduos desconhecidos.

“Eram arremessadas pedras quando da passagem das carruagens pelos apeadeiros, tendo resultado nos seguintes danos humanos e materiais: seis passageiros feridos que beneficiaram de assistência médica, todos os vidros quebrados nas antigas carruagens; 32 vidros quebrados nas novas carruagens; dois vidros com rachas numa locomotiva”, contou a nossa fonte.

Estas ocorrências foram notificadas às autoridades provinciais e distritais, e foi solicitado o reforço da segurança local, através do envolvimento da PRM e com a colaboração da Polícia Comunitária na vigilância junto das comunidades.

Aliás, em face de tais actos de vandalismo, a CDN chegou a suspender temporariamente a circulação do comboio de passageiros, de 07 a 11 de Março de 2014, com vista a preservar a segurança dos passageiros, da tripulação e das próprias locomotivas e carruagens.

É de referir que desde a tomada destas medidas, não foram verificados mais actos de vandalismo, e o comboio circula sem nenhum risco de segurança.

Num outro momento, a mesma fonte fez questão de dizer que o CDN está inclusive a envidar esforços no sentido de melhorar as condições de embarque e desembarque de passageiros, através da construção e melhoramento dos pátios e cobertura de estruturas existentes nos apeadeiros de Riane 1 e Lúrio 2, Rapale, Rente, Pecuária, Nacata 1. Para isso o Departamento de Via e Obra irá trabalhar no desenho das estruturas a serem construídas.

José Sixpence

Fotos de Inácio Pereira

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