Residentes das áreas afectadas pelas recentes cheias no distrito de Machaze, no sul da província de Manica, decidiram, por iniciativa própria, abandonar as zonas baixas das margens dos rios Buzi, Save e seis afluentes, para se fixarem em zonas seguras, depois de terem experimentado momentos agonizantes resultantes do transbordo destes cursos de água.
Os mesmos relataram ao vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres, Belém Monteiro, que enfrentaram enchentes repentinas, em plena madrugada, e tiveram que abandonar as suas casas em debandada.
“Perdemos as nossas casas, celeiros, animais e, por pouco, alguns perdiam a vida. Valeu a intervenção dos membros do Comitê Local de Gestão de Risco de Desastres”, disseram.
Adiante, sublinharam que enfrentam algumas necessidades em mantimentos, lonas, escolas-tenda e, sobretudo, sementes para relançarem a segunda época da presente campanha agrícola. Belém Monteiro, que se encontra a realizar um trabalho de monitoria às áreas afectadas desta província, congratulou a população de Machaze por ter tomado a decisão de abandonar espontaneamente as zonas de risco.
Também fez saber que o mundo está em mudanças resultantes das mudanças climáticas, pelo que a chuva e os ventos se tornam mais frequentes e cada vez mais violentos.
“Temos que estar preparados e mudarmos para zonas seguras porque não sabemos quando é que voltaremos a ter situações destas”, disse.
Em relação à necessidade de apoio em sementes, Belém Monteiro frisou que o governo não quer que a população passe fome, pelo que “vamos fazer de tudo para mandar a semente com brevidade”. Sobre as tendas, revelou que são poucas, uma vez que as chuvas afectaram a vários pontos do país, “mas vamos criar condições para trazer”, prometeu.

