Resultados do estudo Child Health and Mortality Prevention Surveillance (CHAMPS), uma iniciativa que visa identificar as causas reais de morte em recém-nascidos e crianças menores de cinco anos, mostraram que a pneumonia permanece entre as principais causas de mortalidade em crianças de 1 a 59 meses, ao lado de condições como asfixia perinatal e infecções neonatais.
Entre os patógenos mais frequentemente associados aos casos fatais destacam-se o Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.
Segundo o investigador sénior do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, Inácio Mandomando, a pneumonia tem múltiplas causas, e a ausência de vacinas para outros agentes, como o vírus sincicial respiratório (VSR) e a bactéria Klebsiella, contribui para o cenário actual marcado pelas altas taxas de mortalidade pela doença, mesmo com campanhas de imunização em curso.
O investigador explicou que muitos casos fatais ocorrem devido à falhas na cadeia de diagnóstico e tratamento, incluindo situações em que crianças com HIV não são testadas antes do óbito e enfatizou a necessidade de uma abordagem integrada para o controlo das pneumonias, combinando vacinação, diagnóstico precoce, tratamento adequado e fortalecimento contínuo dos serviços de saúde.
Informou que, em alguns distritos, como Quelimane na província da Zambézia, onde o CHAMPS é implementado, já decorrem formações dirigidas a profissionais de saúde, com foco na identificação e encaminhamento oportuno de casos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, a pneumonia foi responsável pela morte de 808 000 crianças menores de 5 anos de idade, representando aproximadamente 15% de todos os óbitos nessa faixa etária.

