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PISCICULTURA: Há produção de peixe nas margens do Rio Mulaúze

A produção de peixe junto de uma das margens do Rio Mulaúze, próximo do bairro de Inhagóia-"B", na cidade de Maputo, começou a ser transformada numa realidade, através de um projecto que está a ser desenvolvido pela Associação Agropecuária Augusto Chirute.

Ao fim de sensivelmente
um ano depois do
lançamento daquele
projecto de piscicultura,
pioneiro ao nível
da capital, foi feita no passado
dia 2 de Novembro a colheita
das primeiras 13.500 toneladas
de pescado, correspondentes à
actual capacidade de produção,
num acto que marcou também
a abertura das festividades dos
129 anos da cidade de Maputo.
Segundo nos explicou Julieta
da Costa, coordenadora do
projecto, trata-se de uma iniciativa
criada em Dezembro do
ano passado, tendo como base
o aproveitamento de uma zona
com potencial para o desenvolvimento
da actividade de piscicultura.
A ideia dos associados, tal
como referiu a fonte, foi a de
fazer com que os camponeses
deixassem de se concentrar
apenas na produção agrícola, o
que lhes levou a estabelecer os
primeiros contactos com a Direcção
do Mar, Águas Interiores
e Pescas, no sentido de melhor
se munirem de conhecimentos
para levar a cabo o projecto.
Da referida direcção, os
membros da Associação Augusto
Chirute receberam apoio
técnico e alguns insumos, como
são os casos de alevinos, ração
para a alimentação das espécies e adubos para a fertilização dos
solos dos tanques.
Foram abertos 27 tanques,
com uma dimensão de 100 metros
quadrados, com um a um
metro e meio, contendo 500 alevinos,
estando a ser cultivadas
naqueles viveiros duas espécies
de peixes, designadamente a
tilápia e o vermelhão. Os alevinos
são adquiridos no distrito
de Vilankulo, na província de
Inhambane.
Nos tanques, foram colocados
tubos galvanizados, com
redes para evitar a fuga dos
alevinos, através dos quais são
drenadas águas para as valas
secundárias que circundam os
viveiros de peixe.
O período de maturação
daquele pescado varia entre os
seis e sete meses, podendo atingir
cada peixe um quilograma ou
mais de peso.
De salientar que a produção
serve para a alimentação dos
associados e para o abastecimento
dos mercados da cidade
e província de Maputo, bem
como de outros pontos do nosso
país.
O projecto, apadrinhado
por David Simango, presidente
do município de Maputo, arrancou
com 15 pessoas, maioritariamente
mulheres, mas
muita gente tem demonstrado
interesse em aderir à iniciativa.
Segundo David Simango,
aquela iniciativa enquadra-se
nas estratégias do município e
do Governo da cidade de Maputo
na promoção do empreendedorismo
por parte do sector
privado, bem como no âmbito
do combate à pobreza urbana
e na criação de condições para
a segurança alimentar de forma
sustentável.
Simango destacou que se
trata de uma acção que vai
contribuir para a economia da
cidade de Maputo e que terá um
impacto de várias dimensões ao
nível da nossa urbe.
"Esta iniciativa é um contributo
para o alargamento
e diversificação da base de
oferta de pescado para a nossa
cidade e para os outros
pontos do país e, porque não,
nos mercados além-fronteiras",
frisou.
De salientar que começa a
ser desenhada a possibilidade
de replicar este projecto para as
zonas propensas a inundações
em certos bairros da nossa cidade,
com destaque para “Magoanine”
e “Laulane”.
ASSOCIAÇÃO
PROGRESSISTA
A Associação Agropecuária
Augusto Chirute foi constituída
no longínquo ano de 1982 e integrava
126 membros, sendo 50
homens e 76 mulheres.
A Associação passou a explorar
uma área de 22 hectares,
dedicando-se maioritariamente
à produção de culturas agrícolas
junto ao Rio Mulaúze, por
detrás do bairro de Inhagóia e
do recinto do Jardim Zoológico.
Actualmente contabiliza 240
membros.
Os associados ficaram privados
de desenvolver a sua actividade
durante muito tempo,
depois da ocorrência das cheias
do ano 2000, uma vez que as
terras de cultivo haviam ficado
alagadas.

Texto de Benjamim Wilson
benjamim.wilson@snoticicas.co.mz

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