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Perdidos mais de três mil hectares de arroz

O Regadio do Baixo Limpopo, na província de Gaza, perdeu mais três mil e 500 hectares de culturas de arroz na sequência dos danos causados pelas chuvas e inundações que se verificam nesta região do país.

Esta avaliação foi feita pelas autoridades da Agricultura e implica uma intervenção rápida com vista à reposição das culturas, através da distribuição de sementes que ainda podem ser lançadas nesta época agrícola para se aproveitar os solos humedecidos, de modo a garantir-se a segurança alimentar das populações.

Em Gaza, são necessários 46 milhões de meticais para a compra de sementes de milho, feijão e hortícolas que devem ser relançados num total de 90 mil hectares de terra que ficaram totalmente destruídas pela acção das águas. Dados indicam que, para além da perca de culturas, também ficaram afectados nove hectares de semente pré-básica e básica de milho, feijão, arroz, e de outros produtos. Os efeitos das águas da chuva também ocasionaram a danificação de muito equipamento agrícola bem como de sistemas de regadio.

Entretanto, durante dois dias, o Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, visitou alguns centros afectados pelas inundações em Gaza, para além de se ter reunido com o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), em Xai-Xai.

A intenção foi de se avaliar o estágio de destruição criado pelas cheias do ponto de vista de danos materiais e humanos. Alias, para além da preocupação do relançamento de culturas aproveitando-se o abaixamento das águas, também nesta fase, a prioridades vão para o reassentamento, através de distribuição de talhões em novas zonas seguras. Vaquina apelou para que se faça tudo de modo que o processo seja definitivo.

Algumas experiências anteriores mostram que, uma vez estabelecidas em novas zonas, quando se normaliza a situação, a população retoma novamente às zonas antigas ocasionando os mesmos exercícios sempre que chega a temporada chuvosa. Para o efeito, Alberto Vaquina orientou para a necessidade duma maior firmeza e não vacilar perante uma acção que essencialmente visa salvar vidas humanas e seus bens.

Ao se optar por esta medida, fica claro que ninguém perde os espaços nas zonas baixas, onde se deverá criar condições da sua presença em período produtivo, cujas casas nesses locais seriam de carácter transitório. “ A pequena casa disponível no local de produção agro-pecuária deve ter apenas a função de garantir a conservação dos produtos que posteriormente devem ser encaminhados para a zona alta para consumo ou comercialização”, disse Alberto Vaquina.

Neste sentido, a atribuição dos talhões é estabelecida mediante um termo de compromisso em que o DUAT seja intransmissível, mas que possa ser herdado pelos filhos dos proprietários. É nesta perspectiva que o governo de Chókwè criou uma nova aldeia, a “3 de Fevereiro”, em Chiaquelane,perto da zona onde se encontram concentrados milhares de pessoas desalojadas pelas cheias. Ela deverá albergar cerca de quatro mil e quinhentas famílias correspondentes ao mesmo número de talhões que se distribuem agora, devendo-se, a breve trecho, se instalar o sistema de abastecimento de água e mais tarde a luz eléctrica.

 Existia um receio de que, depois de receberem os terrenos, os pudessem vender e retornar às origens, mas os reassentados garantem que isso não poderá acontecer pela experiencia que têm do convívio com este tipo de calamidades.

Entretanto, a normalização da vida das comunidades retoma se nas zonas onde a água está a baixar. São os casos de algumas zonas dos distritos de Chókwè e Guijá. Neste último, a população foi mobilizada para limpar as escolas e unidades sanitárias, para a reposição normal da sua vida das pessoas. Por exemplo, em Guijá, os alunos voltaram a estudar a partida da semana passada e os serviços de saúde já realizam as suas actividades normais, graças aos resultados do trabalho mobilizador junto das comunidades.

Também ainda no Guijá, estima-se que, nos próximos três meses, cerca de 60 mil pessoas poderão passar fome, porque muitas terras ainda se encontram submersas e não permitem alcançar zonas para práticas de agricultura. É preciso entender que as inundações afectaram toda a baixa do Limpopo que insere grande parte produtiva do distrito.

Neste momento, continuam esforços para a normalização da vida procurando-se reabrir as vias de acesso que se encontravam interrompidas. A ligação entre Chókwè e Guija está sendo feita de forma condicional, porque decorrem actividades de reposição da ponteca que se destruiu a três quilómetros da vila-sede de Chókwè. Outras acções de melhoramento decorrem no troço entre Chinhacanine e Caniçado onde se acredita que a partir dele seja capaz de se reanimar o abastecimento das populações e reactivação do sector comercial. 

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