Nacional

Origem Dos Problemas E Suas Implicações Nas Relações Bilaterais

Fontes policiais contactadas pelo nosso jornal afirmaram que o conflito entre os moçambicanos e malawianos começou a verificar-se com maior acuidade com a difícil situação 

económico-financeira por que o Malawi passa. Desde essa altura – referimo-nos ao início do segundo mandato do falecido Presidente Bingu wa Mutarica -, os pescadores daquele país iniciaram o uso dos lagos comuns como sua principal fonte de renda familiar.

Aproveitando-se das fragilidades de fiscalização da parte moçambicana, aliadas à observância rígida dos períodos de veda naquele país africano, os pescadores malawianos intensificaram, nos últimos tempos, as suas incursões sobre a parte do lago pertencente ao nosso país, com destaque para o Lago Chiúta, onde se verifica ausência (quase que) total das Forças de Defesa e Segurança.

É assim que no passado dia 15 de Agosto se registou o primeiro caso, na altura considerado um simples incidente. Um grupo de pescadores malawianos invadiu a parte moçambicana do Lago Chiiúta, na zona compreendida entre os Montes Grande e Pequeno. Utilizando redes de pesca menos apropriadas, aqueles pescadores trataram de ameaçar os seus companheiros moçambicanos e destruíram e/ou levaram consigo as redes de pesca destes.

Dois dias depois, portanto, no dia 17, Chiúta foi, de novo, invadido pelos malawianos. Desta vez, o assunto foi sério. Um número não quantificado de pescadores daquele país vizinho introduziu-se nas águas do Lago Chiúta, do lado moçambicano, e, sem justificação plausível, pôs-se a disparar contra tudo e todos para afugentar os pescadores moçambicanos, numa acção que culminou com a apreensão de redes e embarcações destes e consequente captura de alguns moçambicanos, que viriam, mais tarde, a fugir das garras daqueles provocadores.

A partir de então, contaram fontes próximas do comando distrital da PRM de Mecanhelas, as relações entre os dois vizinhos tornaram-se tensas, havendo casos em que famílias dos dois lados desavindos cortaram laços de toda espécie.

Movidas pelo princípio de boa vizinhança, as autoridades governamentais e tradicionais moçambicanas iniciaram diligências para encontrar junto da parte malawiana uma explicação que sustentasse tamanha ousadia. Neste âmbito, várias reuniões sucederam-se. Depois de vários encontros informais, no dia 2 de Novembro corrente, as autoridades dos dois países encontraram-se em Chiúta Pequeno, Maghinga, nas águas lacustres do Malawi.

Dias depois, um outro encontro teria lugar, no distrito de Mandimba, envolvendo igualmente os governos das duas regiões, incluindo as forças de defesa e segurança. Ao que domingo tomou conhecimento, as duas partes decidiram pôr ponto final a este tipo de incidentes.

José Mandra, que pediu à população de Chiúta grande entrega na procura de um ambiente de permanente diálogo, reconheceu que, antes das reuniões, o ambiente era muito preocupante, daí ter tomado a iniciativa de se deslocar aos locais de conflito para, entre outras coisas, pedir calma e consequente aproximação entre as populações de Chiúta, Moçambique, e de Maghinga, Malawi.

“É importante que saibamos que os malawianos precisam tanto de nós como nós deles. Somos geograficamente vizinhos, culturalmente familiares, com laços de amizade muito fortes. Os nossos compatriotas casaram no Malawi e os do Malawi, aqui em Chiúta. Não há razões para estarmos em permanente conflito. Continuemos a pautar pelo diálogo”, solicitou o Mandra aos presentes, que responderam com aplausos, danças e canções.

A despeito, os pescadores de Chiúta, na voz do seu líder tradicional, régulo Messias, pediram a José Mandra para, junto do governo central, influenciar de forma a se criarem condições para alocação de um fundo destinado a financiar a actividade pesqueira daquele grupo de moçambicanos, para além do reforço da capacidade de protecção aos cidadãos daquela zona.

Em resposta, Mandra disse que seria portador das preocupações ali colocadas, mas recordou que o Governo está desde 2005 a financiar actividades produtivas nas zonas rurais através do Fundo Distrital de Investimento (FDD), que nas zonas recônditas do nosso país está já a alavancar o crescimento de muitas áreas de actividade sócio-económica.

Em todos os locais por onde passou, nomeadamente, Mecanhelas, Mandimba, Ngaúma, Muembe e cidade de Lichinga, aquele dirigente intercalou o seu discursos entre a manutenção da paz, o combate à criminalidade e a criação de condições para o combate à fome, bem como o bem-estar das comunidades mais carenciadas.

“Peço aos meus compatriotas para colaborarem com a Polícia e absterem-se de todas as tentativas de desestabilizar o país”, apelou, prometendo que, dentro das capacidades do Governo, as zonas propensas ao crime serão, nos próximos tempos, reforçadas com meios humanos e materiais para que o crime seja combatido e os seus prevaricadores sejam exemplarmente responsabilizados pelos seus actos. 

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