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Novos mestrados desafiam recursos naturais

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) lançou, há dias, mais quatro cursos de mestrado nas áreas de Gestão de Recursos Minerais, Tecnologia de Alimentos, Tecnologia e Utilização da Madeira e

em Química e Processamento de Produtos Locais. Com a entrada destes cursos a instituição pretende, a médio prazo, reduzir a dependência que o país vive em relação a especialistas estrangeiros nestas áreas.

O lançamento destes mestrados resulta de uma parceria entre a UEM e o Reino da Suécia e estão orçados em pouco mais de 5,5 milhões de dólares americanos, financiados pelo governo sueco. Parte deste valor foi usado para aquisição de equipamento e apetrechamento de laboratórios para as aulas práticas.

O  Reitor da UEM, Prof. Doutor Orlando Quilambo, disse na ocasião do lançamento que  a parceria entre a UEM e o reino Sueco data desde 1978 e já resultou na formação de 110 quadros moçambicanos, dos quais 55 mestres e igual número de doutores, na África do Sul e Suécia.

“Os cursos revestem-se de crucial importância por concretizarem um sonho há muito almejado”, sublinhou Quilambo.

Este Reitor adiantou ainda que os cursos a serem ministrados por docentes moçambicanos e suecos vão permitir a consolidação da internacionalização da UEM e dar mais possiblidades a  muitos licenciados incrementem seus conhecimentos para o benefício próprio e do País.

Por seu turno, a Embaixadora da Suécia, Dra. Ulla Andren, disse que a pesquisa tem sido uma área de relevo nas relações entre Moçambique e Suécia, com objectivo de facilitar a interacção entre pesquisadores dos dois países. Segundo a diplomata, esta relação visa igualmente fornecer professores qualificados para Moçambique. “É nossa expectativa que a ciência possa contribuir para o sucesso e o desenvolvimento sustentável de Moçambique”, enfatizou.

Os cursos ora lançados terão 60 por cento de aulas práticas e 40 reservados às actividades teóricas. No curso de Mestrado em Gestão de Recursos Minerais, por exemplo, 65 por cento está destinado a aulas práticas de laboratório e de campo, sendo o resto para aulas teóricas. Segundo os seus autores, até ao fim do curso, os mestrandos devem ser capazes de fazer pesquisas geológicas, bem como adquirir especialização na negociação de contratos mineiros. A licenciatura em geologia constitui um dos principais requisitos para os que quiserem frequentar.

O Mestrado em Tecnologia de Alimentos vai permitir que o país disponha de técnicos altamente qualificados na área de tecnologia de alimentos, com vista responder à demanda dos últimos tempos. Os graduados deverão saber planear e executar ensaios e desenvolver técnicas de pesquisa na área de alimentos. Este curso tem como grupo alvo os graduados em ciências da vida e que tenham conhecimentos de química e áreas afins.

Um dos cursos de maior relevo é do Tecnologia e Utilização da Madeira. Segundo o académico André Viegas, que apresentou o curso, o país é detentor de cerca de 27 milhões de hectares de florestas estratégicas, que poderiam ser melhor aproveitadas. Mas a fonte apontou algumas limitações como sejam pouco conhecimento técnico para as plantações.

André Viegas fez uma resenha histórica do país no sector madeireiro e avançou que Moçambique tem mais de 200 unidades industriais nesta área, sendo que elevado número são de carpintarias. Por isso, segundo ele, este mestrado vai contribuir para a solução dos desafios do sector, mediante uma formação altamente especializada. Até porque, ainda de acordo com a fonte, 50 por cento do volume de árvores abatidas permanece no solo em forma de desperdício.

Estes cursos vão ser ministrados por docentes de três faculdades, nomeadamente das Faculdades de Ciências, de Agronomia e Engenharia Florestal e Faculdade de Engenharia, em estrita colaboração com as universidades de LCU e LDU, do Reino da Suécia. Esta interacção vai permitir uma melhor utilização de recursos da UEM e a troca de experiência entre os docentes e pesquisadores.

O lançamento oficial dos quatro cursos de mestrado contou com diversas individualidades entre nacionais e estrangeiros, e compreendeu igualmente uma visita aos laboratórios destinados às aulas práticas.

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