Nacional

Niassa trabalha para reduzir mortes por malnutrição

Um amplo movimento social visando a redução dos índices de mortalidade por malnutrição está a nascer na maior parte das unidades sanitárias de referência da província de Niassa, com destaque 

para aquelas que se situam nas cidades e sedes distritais.

Com efeito, diversos grupos de mulheres, denominados “Mães para Mães”, estão a realizar, nos centros hospitalares, trabalhos que consistem em ensinar a melhor a forma de preparar os alimentos, enriquecendo-lhes com produtos que contêm vitaminas e proteínas.

À Vice-Ministra da Saúde, Nazira Abdula, que recentemente visitou os distritos de Mandimba, Cuamba, Marrupa e Lago, foi informado que só nos últimos nove meses foram notificados 94 óbitos em pouco mais de 500 casos de malnutrição que deram entrada nos centros hospitalares de Niassa, número considerado bastante elevado se se tomar em conta que é na província de Niassa onde se produz grandes quantidades de alimentos com maior teor nutritivo, como são os casos de feijão, soja, hortícolas, entre outras culturas.

De acordo com aquelas mães voluntárias, o objectivo primeiro do grupo é reduzir os casos de malnutrição para, depois, esboçar estratégias que levarão à erradicação deste mal, que afecta, maioritariamente, as zonas do Norte de Moçambique, nomeadamente Nampula, Cabo Delgado e Niassa.

domingosoube de especialistas na matéria que, nos últimos tempos, a malnutrição afecta, também, adultos, contribuindo para o nascimento de muitas crianças com baixo peso. Sobre este assunto, as nossas fontes garantiram que na província do Niassa, em cada dez nascimentos, quatro apresentam peso abaixo do normal.

Fátima Amido, de Mandimba, garantiu que os produtos necessários para o enriquecimento dos alimentos são produzidos em Niassa. ‘As nossas mães, acrescentou, não sabem como se prepara uma refeição, principalmente para crianças de tenra idade. “Veja esta refeição…’, mostrou aos presentes, sublinhando que o uso da moringa afasta das crianças muitas patologias evitáveis.

Nazia Abdula gostou do que viu e ouviu, aconselhando ao pessoal da Saúde, principalmente o ligado às maternidades, a seguir o exemplo. “A forma alegre com que trabalha o grupo Mães para Mães deve contagiar a todos os funcionários da Saúde e, estes, por sua vez, aos pacientes”, sugeriu.

Durante toda a visita, a governante mostrou-se entusiasmada. Não era para menos: é que em muitos centros de Saúde, muitas crianças, mercê da nova dieta nutricional que recebem das “Mães para Mães”, dão mostras de uma recuperação considerada fenomenal, o que levou Nazira Abdula a pedir a sua expansão a mais unidades sanitárias da província e do país.

Aliás, o facto de aquela governante ter partilhado com os doentes uma refeição, até então por muitos considerada estranha, fez com que muitas mães-acompanhantes acreditassem na qualidade dos alimentos preparados, cujos ingredientes eram desconhecidos pela maioria dos pacientes. “Consegui assimilar os ensinamentos. Quando o meu filho tiver alta, passarei a preparar esta refeição para reabilitá-lo rapidamente”, disse, eufórica, Antónia Alage, depois de provar uma refeição contendo soja, moringa, mandioca, entre outras culturas abudantes da província de Niassa.

Para além do grupo “Mães para Mães”, considerado parceiro estratégico da Saúde, nas unidades hospitalares funcionam, igualmente, os Comités de Co-Gestão. Estes, de acordo com relatos dos seus integrantes, têm como uma das missões apoiar na gestão dos hospitais, identificando as necessidades para depois mobilizar junto dos agentes económicos e parceiros de cooperação recursos materiais e financeiros para colmatar siuações cuja solução pode ser feita a este nível.  

Em Mandimba, onde se reuniu com o Comité de Co-Gestão local, a vice-ministra da Saúde ficou a saber que aquele órgão de apoio conseguiu reunir fundos para a reparação do alpendre do Centro de Saúde de Mandimba. O representante do Comité de Co-Gestão de Mandimba explicou ainda que a sua organização intermedeia junto das duas partes da fronteira comum a flexibilização de documentos aduaneiros para doentes em vias de serem transferidos para os hospitais de referência do vizinho Malawi.

Aqui, Nazira Abdula enalteceu o papel deste órgão criado para permitir a participação das comunidades nos serviços de Saúde, pedindo uma permanente interacção entre médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e as comunidades, numa perspectiva, segundo aludiu, de tornar as unidades de Saúde em verdadeiro centro de referência e entreajuda.

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