Home Nacional MIGRAÇÃO: Aproxima-se a radiodifusão digital

MIGRAÇÃO: Aproxima-se a radiodifusão digital

Por admin

O processo de migração para o sistema digital está quase a bater as nossas portas. Prepara-se um “apagão” do actual sistema analógico. Tanto as televisões, como as rádios vão deixar de ser captadas em sinal aberto. Nas linhas que se seguem, explicamos como é que vai decorrer o processo de migração, que deverá arrancar ainda no presente trimestre.  

 

Com a entrada em funcionamento do sistema digital, as estações de televisão e de rádio vão deixar de fazer a transmissão dos respectivos conteúdos através dos centros emissores, tal como hoje acontece, passando este processo a ser efectuado por uma empresa denominada de “Transporte, Multiplexação e Transmissão”, ou simplesmente TMT.

No âmbito da Estratégia Nacional de Migração, aprovada pelo Governo em Abril de 2014, que assenta no padrão tecnológico conhecido por “DVB-T2”, o pilar principal da migração digital vai passar pela separação da operação de rede e a parte de produção de televisão.

Constituída pelas empresas Televisão de Moçambique (TVM), Rádio Moçambique (RM) e Telecomunicações de Moçambique (TDM), a TMT é que vai passar a fazer a transmissão do sinal digital de todas as televisões, tanto públicas como privadas, depois de as estações produzirem os seus conteúdos.

Em tempo real, as estações farão a entrega dos materiais e a TMT vai fazer chegar os conteúdos para os locais onde as estações televisivas desejarem, através de um acordo de troca de serviços comerciais destinado a garantir a manutenção e a expansão da rede de difusão.

De acordo com Victor Mbebe, presidente do Conselho de Administração da TMT, o valor a ser pago pelas televisões vai ser inferior aos custos que cada estação teria se tivesse de montar a sua própria rede digital.

A partir do momento em que a rede da TMT estiver operacional, o regulador, que é o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), vai determinar um período que é considerado de dupla iluminação, no qual vão coexistir a transmissão analógica actual com a transmissão digital.

O período em alusão poderá variar entre três e seis meses, durante o qual os telespectadores deverão adquirir um aparelho descodificador de sinal digital, vulgo “decoder”, de modo a garantir o acesso às emissões televisivas pelo sistema digital.

Durante este período, os telespectadores vão poder manter em uso as antenas normais e os televisores actuais, só que, quando o sinal analógico for desligado, os aparelhos que não estiverem preparados não vão poder receber o novo sinal transmitido pela via digital, o que vai obrigar à aquisição de um descodificador que, conforme foi referido antes, vai receber e processar o sinal da antena, deixando a captação de ser feita directamente para o televisor, como se verifica actualmente.

A nossa fonte referiu que o que está salvaguardado na nova estratégia digital é que as famílias vão continuar a usar a antena exterior normal, mas antes de o sinal chegar ao televisor deverá ser instalado o “decoder” para garantir a resolução dos conteúdos televisivos “porque os actuais televisores foram concebidos para receber o sinal analógico e não para captar o digital”.

OS CUSTOS DO SISTEMA

Victor Mbebe afirma que não se exclui que, futuramente, mediante as condições financeiras, os telespectadores adquiram televisores digitais já preparados para receber o sinal de emissão digitalizado, situação na qual se dispensa o uso de descodificador.

Sabe-se que, no caso de um televisor digital, bastará haver uma ligação directa entre a antena e o aparelho, sem necessidade de ser intermediado por um “decoder”, as pessoas nas suas casas terão a oportunidade de ver as emissões televisivas.

Atendendo as dificuldades financeiras, aliadas à reduzida capacidade de compra por parte dos usuários, optou-se pela introdução do “decoder”, dispositivo que faz uma conversão rápida dos conteúdos.

O “decoder” tem um custo bastante inferior ao de um televisor digital, fixando-se no mercado internacional entre os 20 e os 30 dólares (o equivalente, hoje, a 1300 e 1950 meticais), sem incluir os custos de importação dos dispositivos para se colocar à venda no nosso mercado.

A nossa fonte garante que o Governo está a trabalhar no sentido de colocar aqueles dipositivos no mercado nacional a um preço que seja comportável para a maioria da população. Por outro lado, soubemos que um televisor digital, no mercado nacional, ronda os 12 mil meticais, variando o preço em função do tamanho e de outras qualidades que o aparelho possuir.

Quando chegar o período do apagão, quem não tiver na sua casa um decoder, não vai poder assistir às emissões televisivas”, tal como fez questão de sublinhar o presidente da empresa que fará a difusão dos conteúdos televisivos e radiofónicos.

Victor Mbebe frisou que, da parte dos utentes, não haverá necessidade de efectuar a compra de uma antena parabólica, bastando apenas que estejam munidos de um aparelho descodificador.

“Há quem já possui decoders por estar ligado a plataformas de televisão que operam no nosso mercado. Estes não têm a necessidade de adquirir um novo dispositivo de sinal digital, uma vez que já acedem ao sinal digital. Temos cinco empresas no mercado, que além de outros conteúdos, oferecem-nos diversos pacotes de canais de televisão nacionais. Quem estiver ligado a uma destas cinco plataformas e se der por satisfeito com o pacote que tem, vai continuar nesse mesmo pacote e não será abrangido por este sistema. Este sistema vai abranger aquele telespectador que assiste televisão através da antena ligada directamente ao televisor, que assiste os canais nacionais transmitidos na sua zona. Quando chegar o sinal digital, esses canais só poderão ser transmitidos no sistema digital. Se não adquirirem o decoder não terão acesso a nenhum canal”, destacou.

MIGRAR PARA A ERA DIGITAL

Ao longo do presente trimestre, deverá arrancar a implementação da televisão digital, passando os locais que já possuem o sinal activado a ter a dupla “iluminação”, mas que, no prazo até seis meses, as pessoas vão ter de comprar um “decoder”.

O processo será gradual e a sua implementação durará cerca de 18 meses e, à medida que o sistema digital for sendo activado, vai sendo simultaneamente desligado o sistema analógico, conforme nos disse Victor Mbebe. 

“A televisão digital possui múltiplas vantagens para os telespectadores, a começar pela melhoria da qualidade de imagem e de som.Com a televisão analógica, o telespectador pode ver um sinal muito bom e à medida que se afasta do centro emissor a qualidade da imagem vai ficando fraca, com chuva ou reflexos, enquanto com a televisão digital isso não existe. Na televisão digital, só há duas situações, ou a pessoa tem um sinal bom, nítido e limpo ou não tem sinal. Sempre que estiver a receber um sinal digital, terá um sinal limpo, de alta qualidade em termos de imagem e de som”, comentou o nosso entrevistado.

Através da nova rede, haverá a possibilidade de aumento da área de cobertura, uma vez que, a partir de um emissor de apenas 100 “watts” digital, se pode abranger uma área idêntica a de um emissor de 400 “watts” analógico.

O emissor digital, com a mesma potência do analógico, cobre uma área maior. A potência que erradia é quase equivalente a quatro vezes, em termos de efeito, ao da potência do analógico. Por exemplo, se neste momento nós temos um emissor que cobre um raio de 20 quilómetros e metermos um emissor digital, com a mesma potência, vai cobrir uma área de 40 a 50 quilómetros”, destacou o entrevistado.

De forma directa, o único custo previsto para os utentes resume-se na compra do “decoder”, não estando colocados de parte outros custos adicionais para ver os sinais digitais dos canais televisivos nacionais.

AS TELEVISÕES

Mbebe referiu ainda que o sistema de televisão digital vai mudar em toda a cadeia de valor. A começar pelos fabricantes dos equipamentos que deixarão de produzir aparelhos analógicos e passarem a fazer televisores digitais.Recomenda-se que, com o novo sistema digital, todas as estações televisivas passem a produzir os seus conteúdos em alta definição, o chamado “HD”, estando os fabricantes de equipamentos de estúdios a ter de produzir sistemas com aquela referência tecnológica. “Para as televisões tirarem o máximo proveito da tecnologia digital, recomenda-se que produzam os seus conteúdos em alta definição”,frisou o entrevistado.

 

Este processo vai implicar que as estações de televisão que ainda produzam no sistema analógico façam uma reformulação dos seus equipamentos até ao período em que se registar o chamado “apagão”.

Conforme soubemos, a TVM vai beneficiar de três estúdios novos digitais em HD na cidade de Maputo e os estúdios existentes nas capitais provinciais vão receber os mesmos tipos de equipamentos de produção.

O último elo da cadeia de valor é o telespectador, no sentido em que o televisor que utiliza neste momento, por si só, não conseguirá captar o sinal. Terá de adquirir o decoder para continuar a usar o seu actual televisor. Vai usar o televisor por pouco tempo, pois, em caso de avaria, no mercado não há-de encontrar um televisor analógico. Pensamos que, dentro de pouco tempo, não haverá mais televisores analógicos ou, a existirem, serão muito poucos. Da mesma forma que, hoje em dia, é muito difícil encontrar um televisor a preto e branco”, destacou Victor Mbebe.

Os rádios dos carros

podem parar de tocar 

No que se refere às emissoras de rádio, Mbebe disse que estas vão ter de mudar dos actuais sistemas para entrar na chamada “era digital”, um processo que levará a migrar os formatos de produção para os tempos tecnológicos que se avizinham.

Conforme soubemos, a maior estação emissora de rádio em Moçambique já deu início ao processo de migração analógico para o digital, tendo, há bem pouco tempo, inaugurado um estúdio de produção digital.

Enquanto para as televisões de todos os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) está estabelecido que devem migrar para o sistema digital, para as rádios não foi definido um prazo para cumprir com o sistema migratório, mas recomenda-se que cada estação, de acordo com as suas condições, pode ir fazendo a migração.

Muitas estações de rádio já iniciaram o processo de migração em termos de produção. Quanto ao lado da transmissão há o senão de, quando se transmite o sinal no formato digital, o rádio actual, que é analógico, não consegue apanhar esse sinal porque não tem nenhum descodificador. O que se tem de fazer é deixar de usar o aparelho de rádio actual e passar a usar o novo rádio digital”, explicou.

No caso dos rádios dos carros, Victor Mbebe disse que é necessário que a indústria automóvel entre em acordo com a área dos produtores de rádio no sentido de introduzirem o sistema digital nos aparelhos das viaturas porque, se houver um apagão da rádio analógica, vai ser necessário fazer a transformação. “Tem de haver uma harmonização por parte de todos os grandes fabricantes”.

No que toca aos telemóveis que captam o sinal de rádio, a nossa fonte assegurou que estes deverão incorporar um receptor digital. “O sistema analógico na área de rádio ainda vai persistir mais tempo, mas o fim será mesmo de desaparecer. Em termos de rádio ainda não há nenhum prazo definido”, concluiu.

Texto de Benjamim Wilson

benjamim.wilson@snoticicas.co.mz
 

Você pode também gostar de:

Propriedade da Sociedade do Notícias, SA

Direcção, Redacção e Oficinas Rua Joe Slovo, 55 • C. Postal 327

Capa da semana