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Mercado Estrela: uma lixeira no meio da cidade

A 10 de Novembro, Maputo celebra o 125° aniversário de elevação à categoria de cidade, e um dos principais desafios do município continua a ser a gestão de resíduos sólidos. Aliás, o actual cenário é crítico. Há lixo

por todos os lados, desde as zonas residenciais aos locais de prática de comércio. Os contentores colocados em alguns pontos para o depósito do lixo chegam a transbordar. domingo deparou-se com uma dessas lixeiras “criadas pelo povo”, defronte do Mercado Estrela Vermelha no bairro do Alto Maé.

A Cidade de Maputo já foi considerada uma das mais limpas de África, no entanto, se assiste nos últimos anos, a uma notável proliferação de lixo em quase todas as esquinas, contrariando de longe o rótulo que obteve há algum tempo.

Cientes do problema e com vista a colmata-lo, as autoridades municipais lançaram, muito recentemente, o concurso “ O bairro mais limpo da cidade”, uma iniciativa que visa envolver todos os munícipes na limpeza das suas zonas residenciais.

Os residentes dos bairros abrangidos consideram que o concurso ‘é bem-vindo’, contudo, está longe de resolver o problema da imundície, pois o grande “calcanhar de Aquiles” reside na morosidade na recolha dos resíduos sólidos por parte do pelouro responsável, sendo que, segundo contaram alguns residentes do Alto-Maé, há casos em que passa uma semana ou mais sem serem retirados.

Tal é o caso do Mercado Estrela, um local movimentado acima de tudo por vendedores, clientes, bem como pelos alunos que frequentam a escola que se encontra nas proximidades. Apesar dos esforços com vista a limpeza do local ‘os contentores ficam cheios e o Conselho Municipal leva dias para evacuá-los, denunciou uma vendedeira do Mercado.

Conforme verificamos no local, um espaço baldio contíguo ao mercado é usado como alternativa à falta de contentores vazios, constituindo, assim, uma lixeira informal há mais de 20 anos. Estas foram revelações feitas por alguns vendedores, que revelaram ainda que não são apenas os vendedores que fazem uso daquele espaço, os moradores daquela zona também “entraram na onda”. Aliás, não existindo sanitários públicos por ali, aquela área serve igualmente para aliviar os transeuntes, e não só, das necessidades menores. O cheiro, para quem passa daquela esquina, entre as avenidas Emília Daússe e Romão Fernandes Farinha, é insuportável, a situação piorou com as chuvas que caíram há dias em Maputo.

O chefe da Comissão dos Vendedores do Mercado Estrela Vermelha, Paulo Machoe, reconhece que a lixeira é um problema de saúde pública, o que preocupa aos vendedores, pois, alguns deles confeccionam alimentos para posterior venda.

Aquela lixeira está a crescer a olhos vistos e é difícil proibir as pessoas de depositar detritos naquele local, elas já estão habituadas. Já pedi ao município para fazer limpeza, que, aliás, seria para os vendedores que ocupam os passeios desenvolverem as suas actividades comerciais naquele espaço. Mas ainda não tive nenhuma resposta”, lamentou.

Em Julho deste ano, contou o presidente da Comissão dos Vendedores, enviou uma carta à direcção de Salubridade e Cemitérios da Cidade de Maputo pedindo uma pá escavadora e um camião para a remoção do lixo, entretanto até à data da entrevista, Machoe ainda não tinha a resposta do município.

Há dias, o Conselho Municipal enviou camiões para proceder à recolha do lixo, mas os vendedores garantiram-nos que a situação só piorou: o lixo continua lá, o cheiro então já nem se fala…

Enviaram camiões, ficamos felizes a pensar que estavam a remover a lixeira, afinal não aconteceu nada. Simplesmente, a situação ficou pior. Gostaríamos de entender o que vinham cá fazer”, ironizou.

Refira-se que naquele espaço é depositado diferente tipo de lixo: desde caixas de papelão, sacos plásticos, garrafas plásticas e de vidros até restos de comida.

HÁ FOCOS DE LIXO POR TODA A CIDADE

Numa ronda efectuada pelo domingo constatou-se que o Mercado do Estrela não é o primeiro caso de existência de uma lixeira informal em Maputo, até os bairros nobres têm sido afectados por esse problema.

A título de exemplo, o bairro da Polana Cimento, próximo da Cadeia Civil, nalgum momento, vê formado algum foco de lixo.

Na baixa da cidade, bem perto do município, existem vários focos de lixo, exalando, obviamente, um cheiro nauseabundo. E, não raras vezes, encontram-se mendigos exacerbando o cheiro, uma vez que removem o lixo à procura de garrafas e restos de comida.

Outro lugar que não passa despercebido é a Avenida Rio Tembe, concretamente na zona do Mercado Fajardo. Ali o cenário é crítico. O lixo chega a ocupar parte da estrada, mesmo havendo vendedores de produtos alimentares bem ao lado. Facto curioso, é que mesmo nos dias em que o lixo é recolhido, o cheiro permanece.

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