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Mais de metade de estradas está intransitável na Zambézia

Zambézia só tem 48 por cento da sua rede de estradas classificada em estado transitável em consequência das cheias de Janeiro do ano passado que varreram grande parte das suas infra-estruturas rodoviárias.

As cheias de 2015 foram autêntico desastre. Ainda não recuperamos o nosso tecido rodoviário, disse Graciano Artur, director provincial de Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos,sublinhando que, efectivamente, 87 por cento da rede rodoviária classificada carece de reabilitação para se restabelecer o acesso de forma sustentável.

“Mesmo sem emergência já tínhamos problemas”, refere o nosso entrevistado, ressalvando que mercê de obras de emergência (que não são definitivas) é hoje , mesmo assim, possível transitar por todos os distritos da província.

Salientou que os problemas só serão efectivamente resolvidos com a chegada de pontes metálicas em Setembro.

Estas pontes resolverão problemas de acesso em cortes registados sobretudo nos distritos de Gilé e Namarrói.

De notar que, através do Ministério da Economia e Finanças, foi solicitada a compra de 630 metros de pontes metálicas para a montagem em mais 14 locais da província da Zambézia.

Terminado o processo de procurement para selecção do fornecedor iniciarão os trabalhos para alguns pontos de intransitabilidade. “Vamos lançar concursos ainda este ano.  Até Setembro podemos ter pontes metálicas”, disse ao domingo o delegado provincial da Administração Nacional de Estradas, Daniel Patel dos Santos

Em relação a intervenções na Estrada Nacional Número Um, Patel dos Santos referiu que foi assinado há duas semanas um acordo entre Governo e União Europeia que prevê financiamento de 16 milhões de dólares para reabilitar infra-estruturas Mocuba, Alto Molócuè. Trata-se de três pontes e três aquedutos.

“O processo de intervenção está em curso, trabalhos preliminares iniciaram em cinco dessas infra-estruturas, a excepção da ponte sobre o Licungo”, disse o nosso entrevistado.

As obras na Estrada Nacional N1, entre Mocuba e Alto Molócue, são obras integralmente financiadas pela União Europeia. Iniciadas  em 2015, poderão ser finalizadas 2016.

Na Ponte sobre o Licungo está projectado o aumento da extensão através da montagem de ponte mista (treliças metálicas e tabuleiro de betão) de 80 m na margem Norte.

Nas estruturas hidráulicas sobre os rios Nivo, Mudora e Serema prevê-se a colocação de peças pré-fabricadas para reforçar a estrutura existente.

Já na Ponte Namilate prevê-se aconstrução de uma nova ponte em substituição da desabada com maior vão que a anterior.

No referente a  Ponte Mutuasse , projecta-se aconstrução de uma nova ponte em substituição da existente face ao assentamento do pilar central.

Ao longo do Corredor da N103 (Nampevo/Gurúe)estão em construção, desde 2014, 13 pontes financiadas pela Governo do Japão. As obras, interrompidas em Janeiro de 2015, foram retomadas em Setembro, estando em curso trabalhos de montagem de 5 pontes metálicas cujo processo de aquisição e transporte foi concluído.

As pontes estão instaladas nos cortes registados nos rios Mutuasse, Cogola e Issípua (corredor Ile/Gurúe).

Voltar a ter noventa

por cento da rede transitável

Para o Director Provincial de Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Graciano Artur, o principal desafio da província de Zambézia é voltar a ter 95 por cento da estrutura da rede de estrada transitável.

Setenta e três infra-estruturas na rede classificada foram afectadas na província da Zambézia em consequência das cheias de Janeiro de 2015 que causaram isolamento de seis distritos isolados, nomeadamente Luabo, Derre, Namarrói, Mulumbo, Lugela e Chinde.

Destas só vinte e seis estão reabilitadas e praticamente prontas com um financiamento de 257.463.618,46 meticais, o que permitiu transitabilidade para todos estes distritos. 

Por insuficiência de verba, apenas foram promovidas e executadas 26 obras. Por realizar ficaram 43 obras(estruturas hidráulicas e reparações de plataforma de estradas) que deveriam ser executadas ainda no decorrer do ano passado para se repor a transitabilidade nos níveis em que se encontrava antes das chuvas de Janeiro de 2015.

Refira-se que não estão incluídas no pacote das 43 obras, as intervenções para reparação dos danos na estrada N1-Mocuba/Alto Molócue, N324-Malei/Maganja e N103-Nampevo/Gurue, que exigem verbas avultadas e projectos de obras de elevada complexidade.

As cheias de 2015 na Zambéziacriaram intransitabilidade em Lugela , causando o colapso de quatro estruturas hidráulicas.

Outros distritos foram fustigados com chuvas intensas, realce para Gurué, Namarrói, Mocuba, Alto Molocué, Derre e Mulumbo.

As cheias afectaram igualmente a ponte sobre o Rio Licungo, em Mocuba, , onde foram reportadas situações de erosão e rompimento dos encontros e da secção de alívio, causando o corte da Estrada Nacional Número Um e em mais 3 pontos: Murrotone,  a 58 km de Mocuba; a 10 km de Nampevo; a 30 km de Alto Molocué.

A mesma onda de cheia destruiu igualmente as quatro unidades de pontes de Malei (Namacurra), a cerca de 30 km a jusante da Ponte de Mocuba, ao longo da Estrada Nacional Número 324.

O número de pontes e pontões total ou parcialmente destruídos saldou-se em 70 unidades; o número de Drifts total ou parcialmente destruídos em 12 unidades; o número de aquedutos destruídos em 20 unidades.

A extensão de estradas danificadas foi de 2 479 km.

Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz

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