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Hospital de Beluluane funciona sem água e luz

O atendimento médico no Posto de Saúde de Beluluane, em Boane, província de Maputo é feito de forma deficiente, devido à falta de água e à fraca qualidade da corrente eléctrica. domingo ficou a 

saber que desde que a MOZAL fez a entrega do hospital ao governo provincial, em Dezembro de 2001, a referida unidade sanitária debate-se com dificuldade no que diz respeito ao seu funcionamento.

A situação agrava-se pelo facto de alguns serviços hospitalares, que necessitam impreterivelmente de água, tais como atendimento às parturientes, ser feito de maneira improvisada. Aquelas são obrigadas a recorrer à água das suas residências, para ser usada no serviço de parto, bem como para servir para o banho dos recém-nascidos.

No que toca à energia eléctrica, ficamos a saber que a que corre no Posto de Saúde de Beluluane tem fraca qualidade. Algumas vezes, conforme constatamos no local, os profissionais da saúde, são obrigados a trabalhar de cortinas abertas para facilitar a visibilidade dentro das salas de atendimento aos pacientes.

Contudo, à noite, tudo se complica. A título de exemplo, o trabalho da maternidade e do laboratório é praticamente limitado, uma vez que se trata de departamentos que necessitam da luz para o perfeito funcionamento.

UTENTES PEDEM SOCORRO

domingoencontrou Olga Machel, residente de Djuba, no centro de saúde de Beluluane. Olga manifestou o seu descontentamento por causa das condições precárias a que estão sujeitos os utentes daquela unidade sanitária.

Contou que“no ano passado, quando vim dar parto, tive que contactar os meus familiares para trazerem água de casa num utensílio da cozinha para o meu banho e do bebé”.

Machel considerou serem absurdas as condições de funcionamento do Posto de Saúde de Beluluane, numa altura em que o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) já canalizou o precioso líquido ao Posto Administrativo da Matola-Rio. 

Por sua vez, Zefanias Simbine, outro residente da localidade de Djuba, que também se encontrava no hospital, reforçou as lamentações de Olga Machel, tendo revelado ainda que o hospital não dispõe de nenhum material informático devido às oscilações no fornecimento da energia eléctrica, facto que complica o trabalho dos profissionais da saúde.

ÁGUA A PARTIR DE AGOSTO

Reconhecendo as péssimas condições em que funciona o hospital, Nelson da Silva, chefe de Repartição de Recursos Humanos no Serviço Distrital da Saúde, Mulher Acção Social de Boane, garantiu que a partir do próximo mês haverá água naquele centro de saúde.

A nossa fonte explicou que, na verdade, o hospital de Beluluane tem um contrato com o FIPAG. O que aconteceu, de facto, foi que “tínhamos uma dívida acumulada com o FIPAG, o que resultou no corte ao fornecimento”.  

Conforme avançou Nelson da Silva, o problema é minorado disponibilizando-se água, através de um camião-cisterna que deposita nos dois tanques do hospital, aproximadamente 100 mil litros.

 No que diz respeito aos problemas com a corrente eléctrica, Nelson da Silva disse que “há um trabalho que está a ser feito, tendo sido já contratada uma instituição privada especializada em sistemas de iluminação para fazer um estudo do sistema colocado pela MOZAL no acto da construção do posto de saúde”. 

CRISE ESTENDE-SE A OUTROS LOCAIS

Não é, somente, no Posto de Saúde de Beluluane que falta água e luz. Na localidade de Djuba, Posto Administrativo da Matola-Rio, esses serviços não chegam para todos, apenas foram projectados para um determinado número de habitantes. Quanto à água, moradores afirmam que o facto preocupante é que o tubo geral de distribuição do FIPAG termina na rua principal, a uma distância considerável da maioria das residências.

Destaque-se, entretanto, que as famílias que conseguiram puxar a água da rua principal até às suas residências queixam-se da fraca pressão.

A maioria da população daquela localidade socorre-se nos furos de água da rede dos operadores privados.

No tocante à luz eléctrica, ficamos a saber que a maioria da população tem que desembolsar valores altíssimos para a compra de postes, de forma a puxarem a energia da rua principal para as suas residências. Os que não têm dinheiro para o efeito ficam sem energia. 

Refira-se que a deficiente rede de energia eléctrica naquela localidade, principalmente na maioria nas ruas, está a criar condições propícias para a actuação à calada da noitede bandidos.

“Se as ruas estivessem iluminadas, os malfeitores não poderiam actuar com a mesma intensidade”, disse Sérgio Machaeie, um dos moradores que afirmou que já pediram à Electricidade de Moçambique (EDM) que iluminasse as ruas, mas até ao momento praticamente nada foi feito.

Este é, igualmente, o entendimento de Marta Sambo, outra moradora, que entretanto reforçou a necessidade de, paralelamente à iluminação das ruas, haver patrulha policial.

RESIDENTES QUEREM BAIRRO PARCELADO

Os entrevistados queixaram-se ainda do facto de parte significativa do bairro não estar ainda parcelada, o que complica as ambições dos moradores de fazer obras de vultos.

Aqueles moradores disseram ainda que as poucas estradas existentes estão em péssimas condições e não permitem a circulação normal de viaturas.

Acrescentaram que alguns desses troços são bastante arenosos, facto que em grande medida dificulta a passagem de viaturas sem tracção a quatro rodas.

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