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Gaza vai ter fábrica de produção de açúcar

Trata-se de um projecto desenvolvido pelo consórcio MAI , com capitais moçambicanos e sul-africanos, num investimento avaliado em cerca de 740 milhões de dólares

norte-americanos

No distrito de Massingir, província de Gaza, nada será como dantes a partir dos anos que se seguem. É que, depois do fracasso do projecto PROCANA, eis que brilha novamente uma luz no fundo do túnel com o anúncio de um ambicioso projecto agro-industrial avaliado em cerca de 740 milhões de dólares norte-americanos, em termos de investimento mínimo.

Este investimento deverá ser realizado pela firma Massingir Agro-industrial, SA (MAI), a qual se propõe a desenvolver um projecto de produção de cana de açúcar, numa área total de 37.500 hectares e construção de uma fábrica de processamento desta cultura de rendimento nesta mesma região. Tudo indica que a segunda será de vez.

O projecto de investimento, cujas actividades referentes à fase de preparação de procedimentos burocráticos e administrativos já arrancaram, aguarda o aval do Conselho de Ministros e deverá ser implantado no distrito de Massingir, à jusante da Barragem com este nome.
Prevê-se que a partir de Março de 2013 inicie o preparo dos viveiros de cana-semente. O arranque efectivo da produção da cana de açúcar poderá ocorrer a partir de 2015/16 e a primeira remessa de exportações no mesmo período.
O distrito de Massingir poderá assim entrar para o mapa das regiões produtoras do açúcar no país à semelhança de Marromeu, Buzi, Maragra e Xinavane. Em termos de impacto social, destaca-se o facto de, numa primeira fase, o empreendimento da MAI projectar a criação de cerca de sete mil postos de trabalho, com a possibilidade de, nos próximos 15 anos, empregar perto de   47 mil pessoas através de serviços prestados ao projecto e no desenvolvimento de Massingir e da província no geral.
Trata-se de um projecto que será desenvolvido na mesma área que havia sido concessionada à PROCANA, cujo DUAT acabou sendo retirado pelo Estado moçambicano em virtude do incumprimento do calendário de actividades, bem como de outras irregularidades que denotavam falta de capacidade e seriedade de levar avante a implementação do empreendimento.
Por se tratar de uma acção ambiciosa e de uma importância socio-económica inegável, o Presidente da República, Armando Guebuza, deslocou-se a Massingir, sexta-feira última, onde interagiu com os gestores do MAI, os quais, na ocasião, fizeram uma apresentação geral do projecto e aproveitaram dizer que estão muito expectantes em “concluir o acordo de investimento com o Governo de Moçambique”.
A MAI, SA é uma sociedade de capitais mistos em cuja estrutura accionista fazem parte a companhia açucareira sul-africana TSB Sugar Limited (que detém 51 por cento das acções) e  um consórcio moçambicano denominado Sociedade de Investimentos Agroindustriais do Limpopo, SA ( SIAL), com 49 por cento. O consórcio íntegra, por sua vez, a Delta Zambézia, Lda., a SOGEP, Lda., a AGRITANA, Lda., e SERENA, Lda.
Segundo John du Plessis, director-geral da TSB Sugar Limited, estima-se que numa das opções se produza cerca de 500 mil toneladas de açúcar e, numa segunda, 160 mil toneladas de açúcar e  cerca de 240 milhões de litros de etanol.
Du Plessis fez questão de dizer que os estudos efectuados até aqui são encorajadores e indicam uma viabilidade extraordinária, sobretudo devido ao potencial que Massingir apresenta para o desenvolvimento deste projecto agroindustrial, as facilidades existentes em termos de logística de transporte e a envolvência e aceitação da iniciativa por parte dos membros da comunidade e autoridades locais.
Aliás, Octávio Muthemba, PCA da SIAL e Administrador da MIA, SA, afirmou que neste momento decorrem trabalhos no terreno com vista a demarcação das áreas onde será implementado o projecto numa acção que conta com o envolvimento das próprias comunidades “que nos ajudam a identificar as áreas que eram da PROCANA mais no sentido de confirmar e esse processo está quase pronto”.
“Aguardamos agora a aprovação do projecto pelo Conselho de Ministros e quando isso acontecer receberemos o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT). De uma maneira geral, posso dizer que nós estamos determinados a avançar com a implementação do projecto. Temos sócios de referência de grande gabarito a nível regional e internacional com é o caso do grupo REMGRO da qual a TSB é subsidiária e que está presente na RSA e Suazilândia”, disse Muthemba.
Importa referir que o grupo REMGRO, da qual a TSB Sugar Limited é subsidiária, está listada na Bolsa de Valores de Joanesburgo. A TSB, localizada próximo da fronteira com Moçambique, na zona de Malelane, província de Mpumalanga, tem três açucareiras na RSA (Malelane, Pongola e Komatiport) e gere 11 mil hectares de plantações de açúcar.

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