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Frelimo recupera terreno na Zambézia

 A Frelimo está visivelmente a recuperar terreno na Zambézia, espaço político tradicionalmente difícil. Avaliando resultados das eleições de quarta-feira, o partido do “batuque e a maçaroca” conseguiu amealhar votos em números expressivos em distritos como Milange, Maganja da Costa e Morrumbala.

Após centralização de dados ao nível das Comissões Distritais de Eleições, tudo ficou claro: reduziram os desequilíbrios gritantes e a Frelimo está na dianteira em alguns círculos eleitorais da Zambézia.

Trata-se do ensaio de uma viragem histórica que começou em pleitos anteriores, nos quais a Frelimo já exibia arcaboiço no aumento de deputados na Assembleia da República.

Filipe Jacinto Nyusi, candidato presidencial da Frelimo, também encontra-se bem colocado nos distritos de Milange, Morrumbala e Maganja da Costa, por sinal dos maiores círculos eleitorais da Zambézia, onde ombreava com Afonso Dhlakama numa flutuação de resultados de certo modo impressionante.

Dados disponíveis indicam que a Frelimo e o seu candidato conquistaram maior número de votos sobretudo nas zonas urbanas e peri-urbanas, em contraponto ao ligeiro desequilíbrio verificado em zonas estritamente rurais.

Por exemplo, o partido “do batuque e maçaroca” logrou uma vitória estrondosa e histórica na Escola Primária de Quelimane, onde a Renamo vinha vencendo de forma humilhante e recorrente.

Vejamos alguns exemplos: na mesa com o número 04000101, Filipe Nyusi amealhou 244 votos, contra 144 de Afonso Dhlakhama e 74 de Devis Simango.

Na mesma mesa, a Frelimo obteve 299 votos contra 144 da renamo e 126 do MDM.

Na mesa com o número 04000102, na mesma escola, Nyusi conquistou 266 votos, mais 140 que Dhlakama e com vantagem de 216 sobre Davis.

A Frelimo obteve, na mesma mesa, 257 votos contra 107 da renamo e 121 do MDM.

De uma forma geral, em Quelimane (área urbana) e em Mocuba, fala-se mesmo de viragem. O “efeito Afonso Dhlakama” eclipsou significativamente o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e o seu candidato presidencial, Davis Simango, que saíram estrondosamente derrotados destas eleições, na contagem global de votos.

O “galo” por vezes não consegue amealhar nem um terço dos votos, havendo clara hegemonia da Frelimo e da Renamo que alternam a liderança de uma mesa para a outra.

Diversas personalidades ouvidas aqui na Zambézia referem que membros do partido do galo, especialistas em deserções, fugiram ao ninho da perdiz.

 PROCESSO DECORREU DE FORMA ORDEIRA

 Fontes do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral e da Comissão Nacional de Eleições sublinham que o processo eleitoral decorreu sem incidentes na Zambézia.

Os materiais de votação chegaram a tempo às mesas de assembleia de voto e a votação decorreu de forma ordeira.

Logo nas primeiras horas de quarta-feira eram visíveis longas filas de espera em diferentes mesas de assembleia de voto, que abriram, na sua maioria, pontualmente as sete horas.

Momentos de agitação foram vividos no momento de contagem de voto, pois membros e simpatizantes da Renamo e do MDM ignoraram apelos dos órgãos eleitorais e das autoridades policiais, permanecendo nas mesas e criando, as vezes, verdadeiro ambiente de terror e tensão, inviabilizando, amiúde, o trabalho das mesas.

A circulação de viaturas ficou condicionada em algumas artérias próximas das mesas, pois simpatizantes daqueles partidos da oposição alegavam que as urnas podiam ser roubadas.

Trata-se de acções que tinham o condão de desafiar a própria Polícia que merece uma palavra de apreço por ter evitado o pior nas mesas de assembleia de voto de Coalane, Incídua e Manhaua , arredores da capital provincial.

Bento  Venâncio

Foto de Alfredo Mueche

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