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EDUCAÇÃO: Inovação de métodos de ensino promove procura de vagas

Por admin

Algumas escolas públicas e privadas dos municípios de Maputo e Matola, com maior destaque para a Anexa ao Instituto de Formação de Professores, Ana Mogas e Dom Bosco, inovaram nas suas metodologias de ensino. O resultado dessas mexidas é a concorrência para os seus serviços. Pais e/ou encarregados de educação querem ver os seus filhos formados com excelência.

Em conversa com os
directores daquelas escolas
ficámos a saber
que o currículo usado é
o mesmo que foi aprovado
pelo Ministério da Educação
e Desenvolvimento Humano,
porém a direcção de cada
uma das instituições procedeu
à inovação de forma a responder
ao objectivo de formar bons
alunos.
O que apurámos junto dos
gestores daquelas escolas, assim
como dos encarregados de educação é que as intervenções
estão a trazer resultados positivos
no processo de ensino e
aprendizagem, pois um aluno
passa da 1.ª classe para a 2.ª
sabendo ler e escrever algumas
palavras, facto que não se verifica
nos alunos de outras escolas,
com maior destaque para as
públicas.
Aliás, a situação regista-se
numa altura em que muitos pais
reclamam da qualidade do ensino
no país.
Um dos métodos mais apreciados
pelos encarregados de
educação tem a ver com a planificação
das matérias. Os professores
não estão apenas focados
em aprofundar as lições patentes
no livro do aluno. Eles têm
a obrigação de inventar outras
formas de transmissão dos conhecimentos.
Outro aspecto a destacar é
que as aulas não decorrem somente
na sala, acontecem também
no pátio da escola, onde os
alunos formam grupos e fazem
jogos de letras. Por exemplo, o
professor espalha papelinhos,
cada um com uma letra, e desafia
a cada aluno ou grupo para
construir uma determinada palavra.

Os alunos, descontraídos, fazem
a competição entre eles sobre
quem forma mais palavras,
o que anima a aula.
A outra iniciativa, a mais
apreciada tanto pelos gestores
das escolas, assim como pelos
encarregados, é que os pais têma obrigação de assistir a três aulas,
por cada trimestre.
Por exemplo, na Escola Anexa
ao Instituto de Formação de
Professores (IFP), na Matola,
foram eleitos dois encarregados,
em cada turma, sendo
um do sexo masculino e outro
feminino. Estes fazem acompanhamento
das actividades da
classe, e sempre que verificam
uma irregularidade comunicam
aos outros pais e à direcção da
escola. Os outros progenitores
também fazem o acompanhamento
das aulas, sempre que
acharem necessário.
Para permitir a efectivação
desta iniciativa, a direcção
daquela escola propõe a contratação
de professores tecnicamente
preparados, e por si
conhecidos.
Noutras escolas, caso particular
da Ana Mogas, os pais
formaram grupos de WhatsApp,
onde partilham toda a informação
referente à escola.
Entretanto, cada uma daquelas
unidades de ensino procura
formas de garantir a melhor
aprendizagem das crianças.
A Escola Dom Bosco, por
exemplo, introduziu a educação
cívica moral desde a 1.ª
classe. Essa é uma das formas
que foi encontrada para ensinar
a criança os modos de viver no
seio da comunidade.
Na Escola Ana Mogas o professor
tem a orientação de dispensar
sempre uma parte da sua
aula para falar sobre a moral. As
lições que o professor transmite
recebe-as numa formação que
acontece aos sábados.
Entretanto, as escolas definiram
o número-limite de alunos
para cada turma da 1.ª classe,
por considerarem que tem
influência no aproveitamento
colectivo.
A Ana Mogas tem o limite
de 50 e o IFP 40 alunos da 1.ª
classe.

ENVOLVIMENTO DOS
PAIS É MAIS-VALIA

O envolvimento dos pais e
encarregados de educação nas
actividades da escola, de entre
elas, de leccionação, é vista
como fundamental nos resultados
que estão a ser alcançados
nos diferentes estabelecimentos
de ensino.
Os professores sabem que
estão a ser vigiados e, por isso,
não devem despachar as matérias,
pois se um dos pais constatar
qualquer irregularidade imediatamente
comunica o que leva
à convocação de uma reunião.
O caso mais recente verificou-
se no ano passado, 2015,
na Escola Anexa ao Instituto de Formação de Professor.
Os encarregados exigiram
que a direcção da escola tomasse
medidas, alegadamente porque
o referido professor tinha
dificuldades na transmissão dos
conhecimentos.
O professor em causa foi
transferido do distrito de Matutuine
para substituir o seu
colega indicado para assumir o
cargo de director da Escola Primária
da Matola-Sede.
De acordo com os pais, ele
não tinha um desempenho satisfatório.
A direcção da escola
limou as arestas e o então
novo contratado afinou com o
desempenho dos demais. Actualmente,
as três partes, nomeadamente,
o professor, os encarregados
de educação, assim
como a direcção mostram-se
satisfeitos, pois as aulas fluem
tranquilamente.

NÃO RESPONDEMOS A
TODOS os PEDIDOS

Os directores das diferentes
escolas que visitámos, como
Ana Mogas, Anexa ao Instituto
de Formação de Professores,
Dom Bosco e Daejo Chiele, disseram
que não têm capacidade
de atender a demanda porque
as infra-estruturas não são suficientes.
Segundo Domingos Escrivão,
mesmo com esta demanda não
há um plano de alargamento das
salas de aula porque aquela escola
foi preparada para assegurar
uma formação consistente
dos professores do IFP. Portanto,
é um laboratório pedagógico.
"Nós recebemos pedidos
de vagas para o ano seguinte,
logo que inicia o ano lectivo.
É reconhecido que a nossa
escola fornece uma aprendizagem
que se recomenda. Sabemos
que é desejo de um pai
ver o seu filho a revelar-se, e
porque não temos condições
para atender a demanda capacitamos
os professores
afectos nas escolas vizinhas
como Ngungunhane, Bagamoio,
Matola C, entre outras.
Acreditamos que isso não é
suficiente, é preciso que as
directores dessas escolas,
em coordenação com os pais,
sejam vigilantes", disse.
Por sua vez, Fernando Guilaze,
director da Ana Mogas, disse
que a sua direcção recebeu dois
pedidos de creches que pretendem
trazer as suas crianças.
No total eram 70 crianças. Para
além destes, recebeu pedidos de
outros pais.
Confessou que a escola não
conseguiu atender a todas as
solicitações, tanto das creches,
assim como dos singulares,
porque a escola tem apenas três
turmas da 1.ª classe. Por causa
da pressão que recebe nos
últimos tempos foi obrigado a
aumentar o número de alunos
para 50.
"Temos um projecto de
construção de 14 salas paradiferentes serviços como biblioteca,
sala de informática,
cantina, sala dos professores,
laboratório e um auditório.
De referir que oito salas serão
para aulas. Sabemos que
não serão suficientes para
atender a demanda porque a
pressão é maior", disse.
AULAS EXTRAS PARA
TRANSFERIDOS
As escolas recebem a cada
início do ano alunos transferidos
de diferentes escolas. A
situação tem trazido consigo
problemas para os professores,
pois muitos desses alunos
apresentam dificuldades de leitura
e escrita.
Por isso, os professores são
orientados a fazer um levantamento
das dificuldades dos alunos
nos primeiros dias de aulas,
ao que se segue a introdução de
aulas extras para esse grupo.
Trata-se de uma medida que
foi encontrada para os alunos
estarem no mesmo nível de
aprendizagem.
"O professor é orientado a
não isolar o aluno, mas passa
a ter duas missões, sendo
que uma delas é fazer um
esforço para este saber ler e
escrever de forma a estar ao
mesmo nível do restante conjunto",
disse Escrivão.
Num outro desenvolvimento,
o director da Ana Mogas disse
que as aulas extras não são pagas,
uma vez que a iniciativa é
da própria direcção da escola
que tem o objectivo de sanar as
lacunas que o seu novo aluno
traz de outra escola.
"Procuramos ser rigorosos
porque não queremos
deixar transitar um aluno
que apresenta dificuldades.
Por exemplo, se constatarmos
que um determinado
aluno da 1.ª ou 2.ª classe não
está a conseguir assimilar
as matérias chamamos o pai
e informamo-lo sobre o que
está a acontecer, discutimos
as medidas a tomar", disse.

Texto de Abibo Selemane
abibo.selemane@snoticias.co.mz

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