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Dramas da fístula obstétrica

“O meu nome é Beatriz Sebastião. Tenho 22 anos de idade. Vivo em Quelimane, na província da Zambézia. Casei-me aos 14 anos. Engravidei aos 15. Sou mãe de quatro filhos. Até o ano passado geria uma pequena barraca; agora vivo da agricultura. Produzo arroz, batata, feijão, contudo durante muito tempo o que realmente plantava era a esperança de vencer esta doença”, conta uma das sobreviventes da fístula obstétrica em Moçambique.

E continua: “não contava estar com todos vocês hoje de tão mal que estava. Era aluna. Estudava. Contudo, tive uma gravidez indesejada. Vivi com a gravidez. Dei à luz. Infelizmente, foi um nado morto”.

Com lágrimas nos olhos prossegue: “a partir deste incidente comecei a sentir uma coisa diferente. Tudo o que consumia saía. Fui ao hospital. Depois aos curandeiros. Vivi com a doença durante seis anos. Estudei até a décima classe. Não controlava a minha urina. As pessoas chamavam-me de ‘chuveiro’, porque mijava na roupa. Guardava na minha sacola panos que levava à casa de banho. Cheirava muito mal. Ninguém suportava o cheiro. A família abandonou-me. A sociedade também. Desisti da escola por causa disso”.  Leia mais…

TEXTO DE BENTO VENÂNCIO
bento.venancio@snoticicas.co.mz

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