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Cruzeiros geram desagrado em KaNyaka

Por admin

A atracagem de cruzeiro de turistas junto à ilha de KaNyaka, ao largo da cidade de Maputo, está a gerar uma onda de descontentamento entre os comerciantes e pequenos operadores do ramo de restauração e similares, que reivindicam a exploração de oportunidades de negócio que podem despontar com a chegada daquele tipo de embarcação.

As reivindicações vieram
a lume durante a
reunião do Conselho
Consultivo local, orientado
recentemente
pelo presidente do Conselho
Municipal de Maputo, David
Simango, onde alguns operadores
de casas de restauração
reclamavam uma melhor oportunidade
durante a vinda dos
cruzeiros para a ilha.
Motivados pelo desconhecimento
de uma actividade de
cruzeiro, aqueles comerciantes
entendem que, sempre que um
navio escalar o arquipélago, os
turistas devem, “compulsivamente”,
ser forçados a adquirir
refeições naquela ilha.
Conforme narraram naquele
evento, os tripulantes dos cruzeiros
transportam as refeições
no navio para os diversos turistas,
chegando a servi-las em
“bangalós” que foram erguidos
numa das margens da Ilha dos
Portugueses.
Num esforço que visava esclarecer
como funcionam os
cruzeiros, David Simango explicou
que quando os turistas
pagam para viajar naqueles
navios, incluem no pacote todas
as refeições que são servidas ao
longo do trajecto e que a atracagem
nas cercanias daquela
ilha foi decidida pelo Conselho
Municipal no quadro dos esforços
visando criar oportunidades
de negócios, principalmente no
Verão, que é a época alta do turismo.
O cruzeiro atraca a algumas
milhas da Ilha dos Portugueses
e, em pequenas embarcações,
os turistas escalam aquele pequeno
ponto de terra firme ou
se deslocam para a ilha maior,
onde têm a oportunidade de
apreciar artigos ou fazer pequenas
compras, sobretudo de
objectos de arte.
Uma das oportunidades geradas
tem a ver com o emprego
de cerca de 64 membros da
comunidade de KaNyaka nos
diferentes serviços dos cruzeiros,
sendo um assistente, 13
marinheiros, 20 ajudantes, 17
agentes de limpeza, dois salva-
-vidas, dois mergulhadores, um
bilheteiro, seis guardas, um responsável
de quartos e um jardineiro,
cujo ordenado ronda os 8
mil meticais.
Com a atracagem de cruzeiros,
têm sido apresentados
números culturais, como forma
de dar boas-vindas aos turistas,
mas também abre-se oportunidade
de gerar receitas para os
artesãos, bailarinos, entre outros.
Aliás, no Verão passado, foi
registado um total de 84 vendedores
que desenvolveram actividades
comerciais, sendo 47 de
bebidas, 17 de venda de roupas
e 20 de obras de arte, e ainda
existe um pequeno grupo que
tem a oportunidade de ganhar
dinheiro pelo aluguer de sombrinhas
na Ilha dos Portugueses.
Ainda no Verão passado, durante
a presença dos cruzeiros,
a Associação das Maguevas, que
se dedica à venda de pescado,
comercializou cerca de 200 quilogramas
de produtos pesqueiros
diversos.
De igual modo, pela entrada
de turistas, de Novembro a
Fevereiro passados, a empresa
“MSC”, que opera os cruzeiros,
pagou mais de um milhão e
meio de meticais à Estacão de
Biologia Marítima, localizada
na ilha de KaNyaka, sendo que,
pela taxa de actividades económicas,
paga mensalmente três
mil dólares. Sabe-se que 20 por
cento do valor pago à Estação
de Biologia Marítima foram alocados
para o distrito e é gerido
pelo Conselho de Desenvolvimento
Comunitário.
Por outro lado, algumas viaturas
nesse período são alugadas
para transportar turistas
interessados em se deslocar
para locais de interesse na Ilha
de KaNyaka, como o “Farol” ou
para a zona onde reside o régulo.
O vereador do distrito municipal
KaNyaka, Dinis Titosse,
disse haver necessidade de se
discutir com os diversos operadores
da actividade turística
a nível da ilha e a empresa que
opera o cruzeiro no sentido de
ver como se pode aumentar as
oportunidades.
Segundo Titosse, neste momento,
os operadores locais não
dispõem de barcos seguros para
fazer o transporte de turistas a
partir da Ilha dos Portugueses
para as outras praias existentes
no arquipélago, o que limita o
desenvolvimento de negócios.
Conforme soubemos, relativamente
às épocas anteriores,
o número de turistas que atravessaram
da Ilha dos Portugueses
até à ilha maior foi bastante
inferior, o que motiva as queixas
por parte dos operadores locais.
Titosse explicou que, na actividade
do cruzeiro, os turistas
pagam um pacote que compreende
o próprio transporte, alojamento,
alimentação, inclusivamente
pela saída nos pontos
onde o navio for a atracar. “O
turista paga o pacote que lhe
é apresentado pela empresa
que opera o cruzeiro e não há
espaço de intervenção de um
terceiro elemento para condicionar
a actividade”.
O que se tem estado a encorajar,
no dizer de Titosse, é que
os operadores locais procurem
aumentar e diversificar a oferta
de serviços, criando aspectos de
interesse ao nível da ilha, como
forma de atrair cada vez mais os
turistas.

Benjamim Wilson
benjamim.wilson@snoticicas.co.mz

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