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Concluída desminagem em Tete

A província central de Tete foi  esta semana formalmente declarada livre de minas terrestres, na sequência da conclusão das operações de desminagem, onde, para além de libertar mais de cinco milhões de metros quadrados (equivalente a 467 campos de futebol), foram destruídas 74.915 minas anti-pessoais.

Segundo o Plano Nacional de Acção contra Minas 2008/14, Tete era província mais minada do país, em particular no cinturão de protecção da barragem de Cahora Bassa (11 quilómetros) e na fronteira com o Zimbabwe, numa extensão de 15 quilómetros, onde as pouco mais 74 mil minas destruídas representam cerca de 85 por cento do problema de minas registado em todo o território moçambicano.
No decurso das cerca de três décadas de desminagem em Tete, que libertaram as vastas áreas de terra que se encontravam bloqueadas devido a confirmação ou suspeita da presença de artefactos explosivos remanescentes da guerra, foram também encontradas três minas anti-tanque, 389 engenhos não explodidos e 134 munições de pequeno calibre.
Desta feita, encontram-se também concluídas as operações de desminagem nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa, sobrando assim as províncias de Manica e Sofala que deverão, em princípio, estar completamente clarificadas até ao primeiro trimestre de 2015.
A acção contra minas eleva para 123 o total de distritos classificados livres de minas, não obstante os danos que as minas causaram durante o período 2008/14 traduzidos em acidentes mortais, mutilações e a ocorrência de acidentes com artefactos explosivos, alguns dos quais com jovens sapadores no decurso do exercício da desminagem no país.
A complexidade das operações de desminagem em Tete envolveu três grandes operadores humanitários em actividade no país, nomeadamente a Ajuda Popular da Noruega (APN) cuja metodologia consiste no emprega de meios manuais; a Halo Trust (mecânica e manual); e a Apopo que emprega ratos treinados e meios manuais, assim como mais de 10 operadores comerciais.
O director do Instituto Nacional de Desminagem (IND), Alberto Augusto, disse, na ocasião, que a conclusão das operações de desminagem em Tete representa não só um facto de estabilidade para a segurança e livre circulação de pessoas e bens, mas constitui também um elemento fundamental de abertura ao investimento e ao desenvolvimento de acções sociais e económicas na província.
A situação actual de minas no país indica existirem somente por desminar poucos metros quadrados de terra bloqueadas devido a suspeita da presença de minas anti-pessoal, em cinco distritos das províncias de Sofala e Manica”, disse Augusto. (AIM).

Leonel Muchano, da AIM, em Tete

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