Início » “Comportamento do clima mudou”

“Comportamento do clima mudou”

Por Benjamim Wilson
  • Adérito Aramuge, director-geral do INAM, em entrevista ao domingo, retrata a
    época chuvosa e fala dos impactos das mudanças climáticas

A ocorrência frequente de fenómenos meteorológicos extremos, resultante das mudanças climáticas, dominou a celebração do Dia Mundial da Meteorologia, na segunda-feira passada. Maior preocupação residiu em torno da elevada quantidade de precipitação ocorrida na presente época chuvosa.

Em entrevista ao jornal domingo, o director-geral do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), Adérito Aramuge, aborda a necessidade de equipamentos para melhorar a avaliação do estado do clima, estimado em perto de 80 milhões de Dólares, como também avisa que os impactos dos fenómenos meteorológicos continuarão a ser mais severos.

Segue-se a conversa: Como é que o INAM se posiciona perante as mudanças climáticas?

O grande desafio nasce aquando do Acordo de Paris, cujo compromisso foi de abraçar a mitigação e a adaptação. Primeiro, diz respeito às mudanças climáticas, que resultam do aquecimento global e da devastação da floresta. A adaptação tem a ver com o facto de as alterações climáticas causarem ventos fortes, ciclones e chuvas de maior intensidade que provocam muitos estragos, devido à localização do país. Os eventos extremos, de forma contínua, vão afectar-nos cada vez mais, daí a necessidade da população aprender a conviver com fenómenos de maior magnitude.

Qual é o papel da meteorologia para criar resiliência?

A nossa contribuição tem sido através do aviso prévio. A ideia é aprendermos a viver com eventos extremos sem seremos afectados. É o que se procura incentivar. O INAM tem trazido a informação meteorológica antecipadamente, com máxima qualidade. É preciso que a rede de observação seja eficaz, com estações mais abrangentes.

O sistema de aviso prévio tem registado limitações?

O nosso lema é corrigir o que está errado e melhorar o que está bom. Neste momento, estamos bem, mas precisamos de ampliar o equipamento meteorológico. Actualmente, a cobertura da rede é de cerca de 50 por cento. Contudo, coloca-se o desafio de instalar mais radares em toda extensão do país, estimada em cerca de 800 mil quilómetros quadrados.

Pelo menos sete radares em zonas previamente identificadas para ajudarem na captação e recolha de informação meteorológica mais pormenorizada. Precisamos, também, de ampliar a rede de estações para detectar relâmpagos, visto que, ultimamente, as descargas atmosféricas são mais fortes.

Há que melhorar informação do fenómeno em locais precisos e, quem sabe, na hora prevista, de modo que o consumidor final possa se prevenir. Leia mais…

Você pode também gostar de:

Propriedade da Sociedade do Notícias, SA

Direcção, Redacção e Oficinas Rua Joe Slovo, 55 • C. Postal 327

Capa da semana