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Comerciantes vendem semente falsificada

A organização Europe Africa Seed Iniciative (EasiSeed), baseada na província de Manica, denunciou a existência de comerciantes rurais que vendem semente pintada fazendo-a passar por melhorada, prejudicando o produtor, financeiramente, e em termos de produtividade agrícola.

A informação foi tornada pública semana finda por Charles Mabaie, no decurso do encontro que visava apresentar resultados do projecto Inovação para Agronegócios (InovAgro Moçambique), que aconteceu semana finda em Maputo.

“Os vendedores ambulantes levam grãos no mercado grossista e pintam- -no, depois colocam nas embalagens de sementes também pitadas. Os produtores por não saberem diferenciar a semente certificada, acabam por comprar a falsa”, denunciou. Segundo conta, os agricultores compram aquela semente por causa do preço, pois a falsa é mais barata em relação a certificada.

“Os produtores, como não têm poder de compra,adquirem o produto falso, o que prejudica a produção, uma vez que investem na compra de insumos, sistema de rega por uma semente que no fim não vai produzir como o desejado”, explicou.

Charles referiu ainda que o rendimento da semente certificada é elevado. Contrariamente, a falsa é susceptível a ataques de pragas e bactérias, para além de que não é resistente a algumas temperaturas e variação do clima. Por esta razão, sempre aconselham os produtores a comprar sementes nas lojas autorizadas e certificadas pelo Governo.

Uma das sementes mais vendidas neste esquema é a do milho que depois não resiste porque não é tolerante a temperaturas altas, diferentemente da certificada.

Outra semente encontrada com alguma facilidade nos ambulantes é de amendoim que, muitas vezes, está susceptível a doenças como Roseta. O resultado disso é que não dá frutos desejáveis, o que estraga os rendimentos dos produtores.

“Temos tido estes problemas com maior incidência nas zonas Centro e Norte onde há elevado número de produtores familiares e comerciais. Geralmente, os do sector familiar correm para comprar sementes no sector informal para produzir, sem saber que não é semente certificada”.

Charles entende que a solução para este problema passa por o Governo juntar esforços com as empresas de sementes para criar uma equipa multissectorial que vai ser responsável pela fiscalização nas zonas de venda de semente no início da campanha agrícola.

“Também tem de haver punição exemplar aos vendedores ilegais de sementes . Já descobrimos nos mercados, alertamos as autoridades e algumas pessoas perderam os produtos falsificados e outras foram presas”, concluiu.

TEXTO DE ANGELINA MAHUMANE

angelina.mahumane@snoticicas.co.mz

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